O Clube do Remo aprovou expressivamente o seu novo estatuto social em Assembleia Geral Extraordinária realizada na última terça-feira. A proposta recebeu o aval de 98,53% dos conselheiros presentes, sacramentando uma reformulação profunda que promete modernizar a administração da instituição paraense nos próximos anos.
Novas regras de remuneração e governança
Entre as principais inovações do regimento estão alterações profundas nas normas de governança e na transparência administrativa. A grande novidade que chamou a atenção da torcida é a possibilidade de pagamento de salários para os chamados dirigentes estatutários.
Fábio Bentes, presidente do Conselho Deliberativo do Remo, detalhou a medida: (A remuneração será) Decisão da gestão. Tem a possibilidade se o presidente (do clube) quiser, explicou.
Além disso, o documento determina que o Conselho Diretor apresente prestações de contas quadrienais a partir de 2027, respeitando um limite máximo de 30 dias de atraso. Sobre a nova dinâmica organizacional, o dirigente reforçou: A atualização do estatuto traz uma nova estrutura de funcionamento para o clube, com regras mais claras sobre como os dirigentes devem administrar os recursos, prestar contas e responder por suas decisões.
Fiscalização financeira rigorosa
O Conselho Fiscal ganha mais autonomia e proximidade para monitorar receitas, despesas e contratos. Eventuais irregularidades detectadas serão encaminhadas diretamente ao Conselho Deliberativo para as devidas providências.
Fábio Bentes destacou o impacto das novas exigências: Na prática, o Conselho Fiscal (CONFIS) passa a ter um papel mais relevante no acompanhamento da gestão. Também serão exigidos requisitos adicionais para quem pretende disputar determinadas funções eletivas, enquanto as contas anuais deverão ser avaliadas por uma auditoria externa independente. Outra mudança é a obrigação de o Conselho Diretor (CODIR) divulgar a situação financeira do clube a cada quatro meses.
Para concorrer a uma vaga no Confis, o associado precisará comprovar pelo menos três anos de experiência ou formação superior em áreas como direito, economia, administração, contabilidade ou auditoria.
Regras para a SAF e mandato
O mandato da diretoria permanece fixado em três anos, com direito a apenas uma reeleição consecutiva, conforme o modelo adotado no último pleito de 2023. A transição administrativa deve ocorrer obrigatoriamente até o último dia de novembro, com repasse completo de relatórios financeiros e jurídicos.
Em relação à Sociedade Anônima do Futebol, o texto estabelece que a criação e venda da SAF exigem o aval da maioria dos associados com direito a voto. Caso a transição ocorra, dirigentes da gestão azulina ficam proibidos de assumir cargos na SAF — seja de forma remunerada ou não — durante o exercício de seus mandatos, podendo ocupar funções na empresa apenas a partir do sétimo ano após o término de sua gestão no clube.
