Tricampeão municipal e com conquistas em Parauapebas e Eldorado dos Carajás, grupo chega ao São João 2026 com espetáculo inédito e 80 envolvidos na produção

Faltam poucos dias para o início do Canaã Cidade Junina, e o Grupo K-Tinguellê já desperta atenção muito além das fronteiras do município. Acostumado às disputas de alto nível e com uma trajetória recente marcada por conquistas expressivas na região sudeste do Pará, o grupo chega à festa de 2026 como um dos principais favoritos ao título municipal e com a missão de alcançar algo ainda maior: o tetracampeonato.
Nos meses que antecederam o São João, o K-Tinguellê acumulou resultados que colocaram seu nome em evidência nos arraiais da região. O grupo sagrou-se campeão na categoria estilizada do Araiá Cheirosinha, conquistou o 4º lugar no Araiá Noite de Ouro, em Parauapebas, e subiu ao segundo degrau do pódio no Araiá Incendeia Coração, realizado em Eldorado dos Carajás. Um ciclo de apresentações que funcionou como verdadeiro aquecimento para o grande palco: o Canaã Cidade Junina.
O peso do tricampeonato
Atual e tricampeão do Canaã Cidade Junina, o K-Tinguellê carrega sobre os ombros uma combinação rara no universo junino: a pressão de quem defende um título conquistado repetidas vezes e a ambição de quem ainda quer mais. A competição municipal deste ano está marcada para o dia 26 de junho, dois dias após a abertura oficial das festividades, prevista para o dia 24.
Para chegar a essa marca, o grupo não poupou dedicação. Os ensaios tiveram início ainda em janeiro, permitindo um processo longo e cuidadoso de lapidação artística que envolve hoje 80 pessoas entre produtores, organizadores e brincantes. É uma estrutura que revela o grau de profissionalismo com que o K-Tinguellê trata cada participação.
“As Engrenagens do Tempo – O Amor que Move”
Neste ano, o tema escolhido pelo grupo promete emocionar o público e impressionar os jurados. Intitulada “As Engrenagens do Tempo – O Amor que Move”, a encenação transporta o espectador para um antigo vilarejo onde o tempo parece ter parado, literalmente.
A história gira em torno de um jovem que, por escolha própria, recusou aprender o ofício do pai, um relojoeiro. Ao falecer, o pai deixou uma única herança ao filho: um bilhete. Nele, uma revelação misteriosa: o relógio da catedral do vilarejo só voltaria a funcionar quando o rapaz encontrasse o amor verdadeiro.
O enredo se desenvolve em um arraial, cenário simbólico por excelência da cultura junina, onde o personagem finalmente encontra esse amor. Neste momento, os ponteiros do relógio da catedral voltam a girar, e tudo o que estava triste no vilarejo recobra alegria. O desfecho é de pura celebração: o casal se casa em frente à catedral, sob o som do relógio em pleno funcionamento, num ato que une tradição, emoção e espetáculo.
A narrativa faz uso de uma linguagem universal, a do amor como força capaz de mover até o tempo e ancora essa mensagem no universo do São João, celebrando a festa junina como palco de histórias que tocam o coração.
80 pessoas, meses de preparo
Por trás de cada movimento sincronizado no palco, existe um trabalho que começa muito antes do repique do zabumba. O K-Tinguellê iniciou sua preparação em janeiro deste ano, com ensaios regulares que têm como objetivo afinar cada detalhe da apresentação, da coreografia à trilha sonora, dos figurinos às alegorias. No total, 80 pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente na produção do espetáculo.
Esse volume de participantes mostra que o grupo junino contemporâneo de Canaã dos Carajás deixou há muito de ser uma manifestação espontânea para se tornar uma produção cultural de envergadura, com estrutura, planejamento e compromisso artístico.
O tetra como horizonte
Com a abertura do Canaã Cidade Junina marcada para o dia 24 de junho e a noite da competição municipal agendada para o dia 26, o K-Tinguellê tem dias contados para afinar os últimos detalhes. A expectativa no grupo é de que o espetáculo desta edição seja o mais completo já apresentado, capaz de sustentar o bicampeonato, o tricampeonato e, por que não, abrir espaço para um inédito tetracampeonato.
A história do vilarejo fictício que para no tempo até que o amor apareça parece guardar, em alguma medida, uma metáfora do próprio grupo: uma máquina que só funciona bem quando todas as suas engrenagens brincantes, produtores, organizadores e plateia, se movem juntas. No dia 26 de junho, o ponteiro vai girar.
Da Redação
