O estado do Pará registrou uma retração estimada em 42,5% nas emissões brutas de dióxido de carbono causadas pela derrubada de matas no ano de 2026, em comparação com o ciclo anterior. O levantamento integra o relatório técnico produzido pela Diretoria de Monitoramento Ambiental, vinculada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade.
Série histórica e evolução dos indicadores
Com base na análise de registros oficiais, o estudo atualizou a trajetória de emissões e remoções entre 2018 e 2026. Os números absolutos mostram que o volume caiu de 76,10 milhões de toneladas de CO₂ em 2025 para uma projeção de 43,76 milhões de toneladas em 2026. Esse patamar indica um recuo de 71,61% frente à média registrada no período de referência entre 2018 e 2022.
A tendência de baixa tem se mantido constante nos últimos anos. Em 2024, o patamar ficou 44,11% abaixo da linha de base, avançando para 50,62% em 2025 e alcançando a marca atual na estimativa preliminar.
Fontes oficiais e metodologia
Para estruturar a pesquisa, a equipe técnica empregou informações do sistema Prodes, dados sobre biomassa florestal do Projeto Estimativa de biomassa na Amazônia e mapeamentos de vegetação secundária do Projeto TerrClass, todos desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. As projeções para 2026 ainda são preliminares e poderão passar por ajustes após a consolidação definitiva das informações.
Compromissos e metas climáticas
As diretrizes estaduais estabelecidas pelo Plano Estadual Amazônia Agora buscam zerar as emissões líquidas no setor de uso da terra até 2030. Embora o índice atual já ultrapasse a meta intermediária estipulada, os técnicos ressaltam que a confirmação do cumprimento dos objetivos depende da manutenção dos resultados positivos e do monitoramento contínuo até o final da década.
O secretário da Semas, Raul Protázio Romão, destaca que os números reforçam a importância da continuidade das políticas públicas voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas. “Os resultados mostram que o Pará está avançando de forma consistente na redução das emissões associadas ao desmatamento e construindo um cenário favorável para alcançar seus compromissos climáticos até 2030, reforçando a importância de mantermos os esforços de monitoramento, prevenção e combate ao desmatamento, aliados à conservação e à recuperação da vegetação. Nosso objetivo é dar continuidade a esse trabalho, com responsabilidade e acompanhamento permanente dos indicadores”, destaca o titular da Semas.
