A senadora argentina Patricia Bullrich, que atuou como ministra da Segurança na gestão de Javier Milei, quebrou o silêncio nesta quarta-feira, 28, ao reconhecer o triunfo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito brasileiro. A parlamentar optou por não citar o nome do petista e o posicionamento surgiu logo após a administração de Buenos Aires declarar que “não fará nenhum comunicado” sobre a disputa eleitoral.
Posicionamento na rede social
Por meio da plataforma X, a legisladora pontuou a relevância do respeito à soberania popular nas urnas. “As pessoas decidem nas urnas e sua vontade é respeitada. Esse é o princípio fundamental de toda democracia”, publicou ela na internet. Em seguida, a ex-ministra ponderou sobre as divergências ideológicas entre os dois Estados vizinhos. “Temos profundas diferenças políticas com o novo governo do Brasil, mas nossos países compartilham uma história, interesses estratégicos e enormes oportunidades de cooperação”, acrescentou.
Críticas ao sistema judicial
Apesar de admitir o resultado das urnas no Brasil, a representante do Senado argentino direcionou ataques ao conceito de polarização e ao papel do Judiciário. Segundo a visão expressa por ela, a democracia não pode se sustentar em uma lógica binária na qual “quem ganha governa e quem perde vai para a prisão”. Ela ainda argumentou que o uso de tribunais sem imparcialidade com o objetivo de anular adversários políticos representa um mecanismo de poder incompatível com o regime democrático.
Mudança na trajetória política
A figura política deixou o cargo no primeiro escalão do governo argentino em dezembro de 2025 para ocupar uma vaga no Senado federal representando a Cidade Autônoma de Buenos Aires.
O gesto da parlamentar contrasta com a postura inicial da Casa Rosada de não emitir notas oficiais sobre a vitória de Lula, evidenciando divisões e reações calculadas na política externa do país vizinho em relação ao Brasil.
