Nesta terça-feira (27), a famosa vila de Alter do Chão, distrito de Santarém localizado no oeste do Pará, amanheceu completamente encoberta por uma densa cortina de fumaça. Registros em vídeo compartilhados nas redes sociais revelaram a gravidade do cenário, impulsionado pelo avanço dos incêndios florestais típicos do período de estiagem, o que tem elevado os níveis de poluição atmosférica e complicado o trabalho das equipes de contenção das chamas.
Impacto nas operações aéreas e turismo
O cenário crítico afeta tanto turistas quanto residentes locais em um dos principais polos de visitação do estado, famoso por suas praias de água doce. A destruição das matas também ameaça diretamente a fauna silvestre, expulsando animais de seus habitats naturais em busca de refúgio e mantimento.
A densidade da fumaça gerou impactos diretos na logística de combate ao fogo. Na segunda-feira (26), meia dúzia de aeronaves do tipo Air Tractor, contratadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ficaram impedidas de decolar do aeroporto de Santarém devido à visibilidade severamente comprometida e à ausência de segurança para a navegação aérea.
Esforços de combate e qualidade do ar
Esses equipamentos haviam desembarcado no município no sábado (24) para intensificar as frentes de contenção ao fogo, com foco em zonas estratégicas e críticas, a exemplo dos Projetos de Assentamento Moju 1 e 2, além do Assentamento Chapadão, situado entre os municípios de Prainha e Santarém.
A retomada das operações aéreas depende da melhoria das condições meteorológicas. Até lá, a poluição atmosférica segue como um obstáculo severo para os brigadistas no oeste paraense.
Riscos à saúde e dados alarmantes
Os reflexos dos focos de calor também comprometem a qualidade do ar. Informações da plataforma IQAir indicaram que Santarém atingiu um índice de 260 na manhã de segunda-feira (19), marca categorizada como muito insalubre.
No mesmo horário, o monitoramento marcou uma concentração de 185 microgramas por metro cúbico de material particulado fino, poluente capaz de atingir as vias respiratórias mais profundas. O índice ultrapassa consideravelmente o teto de referência de 32 microgramas por metro cúbico estipulado como média diária pelas normas brasileiras.
A exposição a esse tipo de fumaça eleva o risco de complicações respiratórias, atingindo com mais força crianças, idosos e portadores de enfermidades crônicas. Especialistas aconselham a diminuição de exercícios físicos ao ar livre e a fuga de longas exposições durante os picos de poluição.
O avanço das chamas mantém o estado em sinal de alerta máximo. Conforme registros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Pará superou a marca de 8 mil focos de incêndio em outubro, com o oeste paraense respondendo por uma parcela expressiva ao colocar seis municípios entre os dez com mais registros no país nas 24 horas anteriores ao levantamento. Na turística Alter do Chão, a fumaça ilustra como a degradação ambiental afeta diretamente centros urbanos e cartões-postais da Amazônia.
