O estado do Pará contabilizou 11,7 mil focos de calor durante o mês de outubro, estabelecendo um patamar inédito em quase três décadas de monitoramento realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Diante desse cenário, o Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8 | Pará e Amapá) emitiu um aviso severo sobre as ameaças que a poluição atmosférica representa para a integridade física dos profissionais locais.
Impactos climáticos e vulnerabilidade na rua
Analistas apontam que a combinação entre a estiagem prolongada e os reflexos do fenômeno climático El Niño potencializou expressivamente a propagação das chamas em solo paraense. A situação afeta diretamente quem atua em jornadas externas.
“A fumaça e o calor gerados pelas queimadas causam sérios riscos à saúde dos trabalhadores, especialmente aqueles que atuam a céu aberto como na construção civil, agricultura, limpeza urbana, entregas e transporte”, destaca o tribunal.
Cidades sufocadas e crises respiratórias
Municípios como Vitória do Xingu, Santarém, Alter do Chão, Oeiras do Pará e São Sebastião da Boa Vista enfrentam densas nuvens de fuligem. O quadro desencadeia uma crise generalizada, gerando complicações pulmonares, problemas cardiovasculares, exaustão térmica, ardência ocular, fadiga extrema e queda na produtividade.
Orientações de proteção e prevenção
Diante da gravidade, a juíza do Trabalho titular da 2ª Vara de Santarém, Nágila Quaresma, enfatiza a responsabilidade das companhias na garantia de um ambiente seguro.
“O indicado é disponibilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) como máscaras PFF2 ou N95 em áreas com forte densidade de fumaça (panos comuns ou máscaras cirúrgicas não filtram partículas finas); pontos de hidratação constante; pausas e sombra em locais arejados, frescos ou com ar-condicionado para reduzir o estresse térmico”, pontua.
As diretrizes também recomendam o acompanhamento dos índices de poluição por meio de ferramentas oficiais como o Painel Vigiar ou o SISAM, além de assegurar suporte médico imediato aos colaboradores.
“Nós, enquanto justiça, acompanhamos com preocupação este momento, pois sabemos que muitos lugares não possuem um plano de contingência para situações de emergências climáticas e episódios como este nos mostram o quanto isso é mais urgente do que se imagina. Vamos, inclusive, propor um encontro com o Ministério Público do Trabalho para ter uma real noção do impacto”, ressalta a magistrada.
