O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), assinou um novo decreto que demite o tenente da Polícia Militar Henrique Otávio Oliveira Velozo. O agente é acusado de assassinar o campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo. A publicação oficial ocorreu no Diário Oficial do Estado.
Batalha jurídica e defesa do militar
A medida derruba os efeitos de uma decisão de outubro de 2025 que havia revertido temporariamente a primeira expulsão do policial da corporação, publicada em setembro daquele mesmo ano. Na época, a defesa conseguiu na Justiça uma determinação favorável para a reintegração do tenente, fazendo com que ele voltasse a receber o salário bruto mensal de R$ 14,6 mil.
Procurada pela reportagem, a defesa do militar informou que irá recorrer da medida. “Uma decisão passível de recurso e que a defesa irá combater”, afirmou o advogado Claudio Dalledone.
Cronologia do afastamento na corporação
Em novembro de 2025, Velozo reassumiu o cargo após ser absolvido pelo Tribunal do Júri. Contudo, no mês seguinte, o agente foi afastado e submetido a um regime disciplinar específico. Com essa alteração, passou a receber apenas um terço do salário, ficou proibido de usar uniforme e foi impedido de exercer qualquer atividade policial enquanto aguardava uma decisão definitiva da Justiça.
Já em fevereiro deste ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a demissão do policial militar, mesmo diante de sua absolvição na esfera criminal. O decreto mais recente cumpre um acórdão definitivo do TJ-SP, restabelecendo a punição administrativa aplicada em setembro de 2025, o que resulta na saída definitiva do policial da PM e na perda de sua remuneração.
Relembre o crime contra o lutador
O homicídio aconteceu em 7 de agosto de 2022, durante um show no Clube Sírio, após um desentendimento entre o policial e o atleta. Segundo relatos de testemunhas colhidos durante a reconstituição, Velozo foi imobilizado por Leandro Lo durante uma discussão, mas efetuou o disparo na cabeça do lutador assim que foi solto, fugindo do local em seguida.
O Ministério Público denunciou o agente por homicídio triplamente qualificado, apontando motivo torpe, emprego de meio insidioso ou cruel, além de traição ou emboscada. Apesar da acusação e da perda inicial do posto na PM por decisão do Tribunal de Justiça Militar, o Tribunal do Júri de São Paulo acabou absolvendo o réu ao acatar a tese de legítima defesa apresentada por seus advogados.
A absolvição gerou revolta e indignação na família. Fátima Lo, mãe do campeão mundial, manifestou sua insatisfação nas redes sociais ao compartilhar uma postagem afirmando que o filho “não teve sua justiça feita”. O texto publicado apontava que “os jurados acolheram a tese de legítima defesa, e com isso o réu não responderá criminalmente pelo disparo que tirou a vida de um dos maiores campeões da história do esporte. Todos hoje carregam um silêncio pesado, difícil de explicar”.
