O ano histórico do Remo com o retorno à elite do futebol brasileiro ficou marcado por uma das piores sequências negativas do clube. A equipe azulina completou 14 partidas consecutivas sem vencer, somando 12 tropeços pelo torneio nacional e dois resultados negativos pela Copa do Brasil.
Desempenho abaixo e crise no Brasileirão
Em 10 meses de competições, o time contabiliza 52 compromissos oficiais, acumulando mais derrotas do que vitórias e empates, com 20 reveses, 19 triunfos e 13 igualdades. A situação na tabela se tornou crítica após um novo revés diante do Cruzeiro em Belo Horizonte, mantendo os paraenses na vice-lanterna do campeonato com 25 pontos somados.
Erros na montagem do elenco e altos custos
Os problemas esportivos refletem escolhas administrativas da diretoria comandada pelo presidente Antônio Carlos Teixeira. Com a maior folha salarial da história institucional, superando a marca de R$ 6 milhões, o Remo teve poucas peças de destaque, restringindo o sucesso técnico ao atacante Jajá, artilheiro na Série A com oito gols, ao zagueiro Tchamba, além da regularidade apresentada por Marcelinho e Marcelo Rangel.
Na primeira fase do planejamento, sob a gestão de Marcos Braz, a aposta foi em jogadores experientes na primeira divisão. No entanto, a estratégia falhou devido à fase técnica irregular com que os atletas chegaram ao Baenão, somada a vencimentos elevados utilizados como argumento de convencimento, o que elevou drasticamente as despesas financeiras.
Mudança de rumo e falta de impacto
Com a saída de Braz e a chegada de Luís Vagner Vivian ao cargo de executivo de futebol, a diretoria alterou a rota para enxugar despesas e buscar nomes de menor expressão. Em entrevista ao Grupo Liberal no início de outubro, o executivo revelou que os cofres do clube tiveram um “alívio” de R$ 12 milhões com as rescisões e empréstimos de jogadores.
Apesar da economia com saídas, a janela de agosto exigiu um desembolso de aproximadamente R$ 3,5 milhões em aquisições, incluindo a contratação do lateral-esquerdo Marlon e do atacante Galeano, que custou R$ 3 milhões para ser retirado da condição de reserva do Mirassol. Contudo, os reforços não conseguiram alterar o cenário negativo, transmitindo a sensação de que o clube tratava a elite nacional como mero “cumprimento de tabela”.
Limitações técnicas e risco de queda
Enquanto rivais diretos como Santos e Vasco adotaram postura agressiva no mercado para mudar de patamar, a passividade azulina custou caro. No comando técnico, Thiago Carpini conseguiu conferir organização tática ao time, mas esbarra nas mesmas limitações de qualidade e profundidade de elenco que afetaram o trabalho do antecessor Léo Condé.
Sem força competitiva suficiente para reverter o quadro, o Leão caminha de forma consistente rumo ao rebaixamento para a segunda divisão em 2027, carregando ainda o risco de encerrar a principal competição nacional na última colocação.
