O mercado de óleo de palma no Pará vive uma perspectiva de crescimento acelerado. A projeção é que a produção estadual registre uma alta de, no mínimo, 20% nos próximos anos, resultado direto de investimentos realizados em plantios recentes que começam a atingir a maturidade produtiva.
Otimismo com a produção de dendê
De acordo com dados da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), o setor tem apresentado uma expansão média de 5% ao ano na área plantada durante o último quinquênio. O potencial de desenvolvimento é elevado, especialmente pela possibilidade de converter áreas degradadas em zonas de cultivo, o que também favorece a geração de postos de trabalho no campo.
Victor Almeida, presidente da Abrapalma, explica que o aumento da oferta não será imediato, seguindo o ciclo natural da cultura:
“Os plantios dos últimos três anos só vão entrar em produção nos próximos três anos. A gente tem um crescimento já contratado de pelo menos uns 20%”, afirmou.
Desafios financeiros e o papel do crédito
Embora o cenário seja positivo, a viabilidade de novos projetos depende de suporte financeiro. Atualmente, o setor movimenta cerca de R$ 5 bilhões anuais com as empresas associadas à Abrapalma, mas a escassez de recursos para investimento trava a velocidade da expansão.
Victor Almeida reforça que o Pará possui o recurso fundiário necessário, mas carece de viabilização econômica:
“Temos muita área degradada disponível. O que falta é um apoio no sentido financeiro e linhas de crédito para a gente conseguir fazer essa expansão”, destacou.
Limitações na agricultura familiar
Atualmente, a agricultura familiar já responde por 20% da produção de frutos de palma. Contudo, o acesso ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) enfrenta barreiras, como o teto de R$ 250 mil, que limita o plantio a aproximadamente dez hectares.
Sobre a necessidade de revisar esses limites, o presidente da Abrapalma pontuou:
“Se a gente conseguisse aumentar esse limite, a gente conseguia acelerar ainda mais esse crescimento”, afirmou.
Além disso, o dirigente ressalta que a ausência de linhas de crédito específicas para empresas que desejam ampliar suas áreas de cultivo é um fator que retarda o potencial produtivo da região.
Inclusão e impacto econômico
A estratégia das empresas do setor foca na integração dos pequenos produtores, com a expectativa de crescer cerca de 10 mil hectares por ano nessa modalidade. Do faturamento total de R$ 5 bilhões, aproximadamente 60% são repassados diretamente aos produtores do fruto.
Ao analisar a importância dessa integração para a economia paraense, o presidente da Abrapalma concluiu:
“Hoje, 20% já é agricultura familiar”, afirmou o presidente da entidade, que vê na ampliação dos plantios uma oportunidade para fortalecer a atividade econômica no Pará, gerar renda no campo e aumentar a participação do estado no setor.
