O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) abriu nesta sexta-feira (23) uma Notícia de Fato (NF) com o objetivo de investigar o envio de uma correspondência pela rede de Supermercados Zona Sul aos seus trabalhadores durante o período eleitoral.
Conteúdo da correspondência e denúncia
O material impresso estimula o chamado “voto consciente” e prega a necessidade de renovação. O impresso tem a assinatura do presidente da companhia e, embora evite menções diretas a qualquer concorrente ao pleito, propõe uma alteração nos rumos, nas atitudes e nas diretrizes vigentes.
A denúncia formal partiu do vereador Rick Azevedo (Psol), que conquistou uma vaga como deputado federal. O parlamentar divulgou o caso nas redes sociais afirmando que “a rede de supermercados de elite da zona sul distribuiu aos funcionários uma carta assinada pelo presidente da empresa em defesa do “voto consciente”. O texto fala em “esgotamento de ciclo e “necessidade de mudança”.
Diante da situação, o político classificou a atitude como uma prática abusiva. “Isso é assédio eleitoral. Cadê o TSE?”, disse o parlamentar.
Ações sindicais e defesa dos trabalhadores
Paralelamente à atuação do órgão ministerial, o Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro protocolou uma medida judicial contra a rede varejista.
Por meio de um comunicado oficial, a organização sindical argumenta que, ao se valer da autoridade patronal para veicular tal teor aos colaboradores, a corporação transgride limites fundamentais das relações de trabalho.
“Patrão nenhum é dono da consciência política de seus funcionários. Nem pode coagir”, alerta o sindicato.
Interesses em disputa
A entidade representativa da categoria argumenta ainda que o apelo por transformações esconde motivações setoriais. “Por trás de discursos genéricos sobre a necessidade de mudar o país, existem interesses políticos e econômicos em disputa. E os interesses de quem emprega nem sempre são os mesmos de quem vive do próprio salário – especialmente quando estão em jogo direitos trabalhistas e conquistas históricas, como o fim da escala 6×1.”
A reportagem tentou contato com os representantes da rede de supermercados Zona Sul, mas não obteve retorno até o momento. O espaço permanece disponível para eventuais esclarecimentos da empresa.
