Atletas de Marabá disputam Sul-Americano de muay thai em São Paulo

Atletas de Marabá disputam Sul-Americano de muay thai em São Paulo

O muay thai de Marabá vive uma fase de forte expansão no cenário competitivo. A trajetória de destaque começou em agosto no Campeonato Paraense, onde a delegação local obteve um resultado expressivo: dos seis representantes que entraram no ringue, cinco asseguraram classificação para o Campeonato Sul-Americano, iniciado nesta sexta-feira (6) no município de Bragança Paulista, interior paulista.

De olho no mundial de 2027

O avanço técnico da equipe regional já projeta voos internacionais. Recentemente, dois competidores da área receberam convites oficiais para participar do Campeonato Mundial, agendado para março de 2027 na Tailândia, o que atesta a alta qualidade técnica lapidada no Pará.

Para o compromisso em solo paulista, o grupo conta com nomes de destaque como Gabriel Soares, Eliezer Souza e Kawa Kenzo, todos carregando grandes expectativas de subir ao pódio e garantir passaporte para o mundial.

“A expectativa é primeiramente me manter invicto e ser campeão, para assim conseguir uma vaga para o mundial. A gente está saindo do estado para ir para São Paulo. Novos desafios e a gente pretende chegar lá e fazer um bom trabalho, fazer uma guerra”, projeta um dos competidores.

Representatividade e ancestralidade no ringue

Entre os principais talentos da equipe está o jovem Kawa Kenzo, de apenas 16 anos e pertencente ao povo indígena Guajajara. O lutador faz questão de carregar sua herança cultural para os combates como forma de homenagem à sua avó.

“Ela falou para eu não esconder, para mostrar e espalhar para os outros a nossa cultura e de onde realmente viemos”, relata o jovem lutador.

Desafios financeiros e mobilização popular

Apesar da excelência demonstrada nas disputas, a modalidade amadora enfrenta barreiras estruturais severas. Embora cinco atletas de Marabá tenham conquistado o direito de competir no torneio paulista, apenas três conseguiram embarcar devido à falta de recursos financeiros.

Campanha comunitária por patrocínio

Sob a tutela do mestre Cordeiro, lutadores, pais e amigos uniram forças em campanhas de arrecadação, incluindo a venda de rifas e pedidos de doações voluntárias, para custear despesas essenciais como passagens, hospedagem e alimentação.

“A gente está levando com muita luta e sacrifício através de rifa, ajuda daqui, ajuda dali dos pais, familiares e amigos”, aponta o mestre Cordeiro, que reforça o apelo por apoio institucional e de patrocinadores para que os atletas não fiquem de fora de competições decisivas.

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