O Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou a encarregada de negócios da embaixada argentina em Brasília, Maria Emília Cortés, para prestar esclarecimentos a respeito da colaboração do governo vizinho na saída do senador Flávio Bolsonaro do território nacional em direção aos Estados Unidos.
Encontro no Itamaraty e praxe diplomática
A diplomata esteve reunida na noite de quinta-feira (29) com o embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, diretor do Departamento de América do Sul. Segundo relatos de fontes governamentais, o diálogo teve curta duração e serviu como um instrumento formal da diplomacia para manifestar o descontentamento do governo brasileiro diante das ações de Buenos Aires.
A rota utilizada rumo ao exterior
Flávio Bolsonaro desembarcou em solo norte-americano na manhã de quarta-feira (28), após deixar o Brasil e transitar pela cidade fronteiriça de Puerto Iguazu, de onde partiu em um jato fretado pelo governo dos Estados Unidos. Em uma carta divulgada na quinta-feira, o senador agradeceu a ajuda do presidente argentino, Javier Milei.
Veículos de imprensa da Argentina divulgaram evidências da participação direta de integrantes da gestão de Milei no episódio, o que incluiu o fornecimento de uma escolta da polícia aeroportuária para acompanhar o político até o momento do embarque.
Violação de ordens judiciais
Ao concretizar a viagem internacional, o parlamentar do PL — que foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial realizada no domingo (25) — desrespeitou uma ordem da Justiça que determinava a entrega de seus passaportes e proibia sua saída do país, medida cautelar adotada no âmbito de uma investigação sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Crise institucional entre os dois países
Maria Emília Cortés chefia o corpo diplomático argentino no Brasil desde o início do atrito institucional entre os governos de Lula e Javier Milei, deflagrado no final de julho. Na ocasião, o líder argentino esteve em território brasileiro para apoiar o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro e proferiu ofensas contra Lula, comportamento que repetiu posteriormente em entrevistas e plataformas digitais.
O episódio resultou na decisão do governo brasileiro de retirar seu embaixador em Buenos Aires, Júlio Bitelli, rebaixando o patamar das relações bilaterais. Pouco depois, Daniel Ribondi, que ocupava o posto de embaixador argentino em Brasília, também retornou ao seu país de origem.
Enquanto o chanceler argentino, Pablo Quirno, negou a existência de um pedido formal de explicações por parte do Brasil, as fontes governamentais mantêm a confirmação dos fatos. O Itamaraty optou por não emitir declarações oficiais sobre o caso. De acordo com os informantes, o cenário político não sinaliza perspectivas de melhora nas relações bilaterais a curto prazo, uma vez que Milei persevera em sua retórica hostil contra o Brasil, enquanto o suporte logístico na fuga é visto como uma ingerência direta nos assuntos internos brasileiros.
