O Ministério Público do Estado do Pará protocolou na 10ª Vara Criminal de Belém uma denúncia contra o ex-presidente do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), Nilson Pinto de Oliveira, e sua esposa, Lena Ribeiro Pinto. O casal é acusado de integrar um esquema que teria desviado mais de R$ 14 milhões dos cofres públicos por meio de fraudes em contratos administrativos.
Contratos sob suspeita e os alvos da investigação
A apuração, iniciada em maio deste ano, concentra-se em três acordos firmados entre o órgão estadual e a Construtora Duas Marias. Os ajustes previam a execução de serviços de manutenção predial, a reforma de imóveis pertencentes ao instituto e o reparo no muro do Parque Estadual do Utinga.
Além do ex-dirigente e de sua esposa, a vereadora de Bragança Tatiana Ferreira Rodrigues também figura entre os investigados, apontada pelo órgão ministerial como a verdadeira gestora da empresa contratada.
Crescimento incompatível e repasses suspeitos
O inquérito teve início após denúncias de que a construtora não possuía porte ou capacidade operacional para atender às demandas exigidas. O promotor de Justiça Lauro Freitas destacou que “a construtora apresentou um crescimento financeiro brusco em pouco tempo, apesar de não ter estrutura financeira para prestar os serviços ao instituto”.
A análise de dados fiscais e bancários revelou falhas técnicas, indícios de direcionamento licitatório e transferências atípicas. Conforme apontado pelo promotor, “foram detectados retornos financeiros para o então presidente do instituto, servidores e a esposa de Nilson Pinto, sem que fosse possível identificar o retorno desses recursos em serviços ao Ideflor-Bio”.
Crimes apurados e destino do dinheiro
Os investigadores identificaram que o capital desviado foi utilizado para a aquisição de artigos de alto padrão e de imóveis no exterior. Os suspeitos respondem por crimes como corrupção ativa, lavagem de capitais e associação criminosa.
O Ministério Público requereu o afastamento formal dos acusados de suas funções públicas, incluindo Nilson Pinto e Lena Pinto — esta última atuava como servidora da Secretaria de Estado de Educação cedida ao instituto. Ambos deixaram os cargos em julho. A defesa de Nilson Pinto declarou que recebeu a denúncia com indignação, mas que mantém total confiança na Justiça e que todos os trâmites legais foram respeitados nas contratações. Os demais citados não se manifestaram sobre o caso.
