A Polícia Civil de Santarém, no oeste do Pará, instaurou uma investigação para apurar um esquema de furto qualificado que resultou no desvio de mais de 50 botijões de gás. O suspeito, que não teve a identidade revelada, foi conduzido à delegacia na última terça-feira (3) após ser flagrado explorando vulnerabilidades em sistemas de autoatendimento de estabelecimentos comerciais.
Como o esquema era realizado
O golpe consistia em manipular o processo de compra automatizado. O investigado realizava o pagamento de apenas um item, mas conseguia liberar a retirada de uma quantidade significativamente maior de produtos. Para viabilizar a fraude, ele utilizava diversos números de CPF e telefones, muitos deles pertencentes a familiares e conhecidos, para realizar novos cadastros e burlar os controles das empresas.
O delegado Germano do Vale detalhou a frequência das ações criminosas: “Ele pagava um e levava mais cinco. Pagava um e levava mais oito. E ultimamente estava fazendo isso todo dia. Só alternava os postos”.
Monitoramento e revenda ilegal
As investigações tiveram início na semana passada, após as empresas notarem divergências contábeis. A análise das imagens do circuito de segurança confirmou que o suspeito utilizava um veículo próprio para carregar os botijões. O gerente de um dos comércios relatou que a prática começou no final de setembro e que os itens desviados eram anunciados para revenda no Facebook por preços abaixo da média de mercado.
A identificação do suspeito foi facilitada pelos registros de transações via Pix e pelos dados fornecidos no momento do cadastro nos terminais de autoatendimento. Com base nessas informações, a polícia localizou a residência do homem, onde parte dos produtos subtraídos foi encontrada.
Próximos passos da investigação
Embora o suspeito tenha sido abordado na terça-feira (3), ele não foi preso em flagrante, pois o sistema da loja bloqueou a tentativa de compra naquele momento, impedindo a consumação do crime. A Polícia Civil agora trabalha para identificar possíveis comparsas e apurar se houve formação de associação criminosa.
O inquérito policial prossegue com oitivas dos titulares dos CPFs e telefones utilizados no esquema. O objetivo é esclarecer se essas pessoas tinham conhecimento do uso indevido de seus dados ou se participaram ativamente do desvio dos botijões.
