O Cruzeiro protagonizou uma das maiores viradas da história do futebol feminino continental ao superar o Corinthians nos pênaltis, neste ano de 2026, e levantar a taça da Copa Libertadores pela primeira vez. A decisão, realizada no Estádio Casa Blanca, em Quito, ficou marcada por uma eletrizante reação mineira após o time paulista abrir 3 a 0 no placar, forçando o empate por 4 a 4 no tempo regulamentar e garantindo o triunfo por 5 a 4 nas penalidades.
Frustração alvinegra e temporada de vices
Dono de uma hegemonia recente na modalidade e campeão em 2017, 2019, 2021, 2023, 2024 e 2025, o clube do Parque São Jorge desperdiçou a chance de faturar o sétimo troféu do torneio. Além do revés internacional, o ano acumulou o quarto vice-campeonato para as paulistas, que também perderam a Copa dos Campeões da Fifa para o Arsenal, a Supercopa Feminina para o Palmeiras e o Brasileirão para o São Paulo. Internamente, o grupo ainda lidou com o fantasma de salários atrasados ao longo de todo o calendário, repetindo os desafios enfrentados pelo departamento masculino.
Domínio inicial do Corinthians em Quito
Nos primeiros minutos, a partida se concentrou na defesa cruzeirense diante da forte pressão alvinegra. Logo aos três minutos, Gabi Zanotti aproveitou cruzamento de Gi Fernandes para cabecear livre na grande área e inaugurar o marcador. O lance registrou o 100º gol da veterana com a camisa corintiana, clube que representa desde 2018. Pouco antes do intervalo, aos 43, a própria Zanotti aproveitou saída errada de bola da defesa adversária para receber passe de Vic Albuquerque e marcar o número 101, ampliando a vantagem para 2 a 0 em um primeiro tempo apagado da principal estrela celeste, Byanca Brasil.
Reação furiosa e virada dramática
A etapa final começou com novo ímpeto corintiano e gol de Vic Albuquerque logo aos quatro minutos, após rápida troca de passes. No entanto, o cenário mudou drasticamente quando a goleira Lelê falhou na saída de bola e entregou para Byanca Brasil descontar aos seis. Aos 11, a arbitragem assinalou pênalti de Lelê em Marília com auxílio do VAR, convertido com firmeza por Vitória Calhau. O crescimento mineiro em campo diminuiu o ritmo do meio-campo rival, embora Vic Albuquerque tenha feito o quarto das paulistas aos 22, servida novamente por Gi Fernandes.
A insistência do Cruzeiro deu frutos aos 29 minutos com Ketlin, abrindo caminho para furar a retaguarda adversária com facilidade. Letícia Ferreira acertou o travessão antes de balançar as redes de cabeça aos 45 minutos, selando o 4 a 4 e levando a decisão para a marca da cal. Nas penalidades, após acertos e erros alternados, a arqueira Camila parou Gi Fernandes na última cobrança, confirmando a taça para o time comandado por Jonas Urias.
