Eleitores relatam dificuldades para garantir passe livre em Belém

Eleitores relatam dificuldades para garantir passe livre em Belém

Às vésperas do segundo turno das eleições, marcado para este domingo (25), eleitores que buscam utilizar o transporte gratuito intermunicipal em Belém têm enfrentado obstáculos. Nos terminais rodoviário e hidroviário da capital paraense, relatos de falta de clareza sobre a disponibilidade de veículos e a informação de que as vagas teriam esgotado geram apreensão entre os cidadãos que precisam se deslocar para votar.

Problemas no terminal rodoviário

No terminal rodoviário, a busca pelo benefício, instituído pelo Decreto nº 5.715, tem sido frustrante para alguns usuários. Maria Correa, que pretendia viajar para Abaetetuba, afirmou ter sido orientada a retornar apenas no sábado (24) para verificar a disponibilidade de assentos.

“Aí eu chego aqui de manhã e, com certeza, vão dizer: ‘Ah, já não tem mais, já lotou’. Ela disse que nem sabe qual carro vai estar disponível no sábado para levar quem tem direito à gratuidade. Acabei de saber dessa notícia. Quer dizer, vou chegar aqui no sábado e vai ser outra história. Com certeza, vão dizer que não tem mais ônibus, que já lotou, e assim por diante. Vai ser sempre outra história”, relata.

A doméstica reforça sua insegurança quanto ao processo: “Certamente podem dizer: ‘Ah, já lotou, as passagens que tinha para distribuir já foram, não tem mais passagem, os carros já estão todos lotados’. Vai sempre ter uma desculpa para não dar gratuidade”. Ela complementa: “E a gratuidade pelo decreto já começou. Eu já conheço essa história. Vim tirar antecipadamente porque saiu no jornal que já podia fazer isso. Eu vim agora e ela disse que não sabe quais carros estarão disponíveis para levar quem tem direito à gratuidade. Eu me sinto como cidadã que tem o seu direito negado”.

Transtornos no transporte fluvial

A situação no Terminal Hidroviário também é de incerteza. Marcos Ferreira, motorista escolar com domicílio eleitoral em Ponta de Pedras, no arquipélago do Marajó, procurou uma empresa local e foi surpreendido pela negativa.

“Recebi a informação da atendente do guichê de que não havia mais passagens gratuitas. Ela informou que as passagens já tinham se esgotado desde segunda-feira. Cheguei ao terminal por volta das 15h. Me dirigi a um posto da Artran e conversei com um funcionário, que também me disse que não havia mais passagens e que não podia me ajudar em nada. A gente fica, então, desamparado justamente por quem poderia nos socorrer”, relata.

Sobre as consequências dessa falta de acesso, ele desabafa: “Ainda não sei como vou resolver. Não sei se o problema foi apenas com as passagens gratuitas ou também com as disponíveis para venda. Acredito que, assim como eu, outras pessoas correm o risco de não exercer seus direitos como eleitores”. Em contrapartida, alguns passageiros, como Suenia Modesto, relataram ter conseguido o bilhete sem maiores percalços: “Vou na sexta-feira porque só eu da minha família que voto lá. Meu pai mora lá. Volto só em novembro, no início do mês, pedi a gratuidade somente para a ida. Pedi o ônibus para as 10h. Desde a hora em que cheguei, acho que não teve nenhum problema. O pessoal estava tirando passagem normalmente. Mas acontece”, detalha.

Regras do benefício

O decreto estadual estabelece que a gratuidade no transporte rodoviário e aquaviário intermunicipal ocorre entre as 12h de sexta-feira (23) e as 12h de segunda-feira (26). Para a ida, é necessária a apresentação de documento de identidade e título de eleitor. No retorno, o eleitor deve comprovar a votação e o uso do benefício na ida.

Já no BRT Metropolitano, a gratuidade vale durante todo o domingo (25), sem necessidade de documento. O mesmo vale para a linha hidroviária entre Icoaraci e Cotijuba, que também terá horários específicos de operação. Até o momento, a Artran não se posicionou sobre as queixas registradas pelos passageiros.

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