Pará lidera produção de óleo de palma e mira 80 mil empregos

Pará lidera produção de óleo de palma e mira 80 mil empregos

O Pará consolidou sua posição como o motor da produção de óleo de palma no Brasil, sendo responsável por mais de 90% da oferta nacional do produto bruto. Com planos ambiciosos de crescimento, o setor agroindustrial paraense projeta elevar a área cultivada para 1 milhão de hectares na próxima década. A expectativa é que essa expansão impulsione a geração de postos de trabalho, saltando dos atuais 20 mil para 80 mil empregos diretos no estado.

O papel da agricultura familiar e os entraves financeiros

Apesar do otimismo, o setor enfrenta dificuldades para manter o ritmo de expansão. Segundo Victor Almeida, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), o acesso a capital é o principal obstáculo. O dirigente defende ajustes urgentes no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para viabilizar novos investimentos.

“Hoje o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) é o principal crédito disponível para o pequeno agricultor, mas aqui a gente não tem nenhuma linha para as empresas aumentarem a área plantada também. O próprio Pronaf hoje é limitado a R$ 250 mil por agricultor. R$ 250 mil hoje a gente usa pra plantar 10 hectares. Se a gente conseguisse aumentar esse limite, a gente conseguiria acelerar ainda mais esse crescimento.”

Atualmente, cerca de 20% da produção de palma no estado já é integrada à agricultura familiar. O setor fatura cerca de R$ 5 bilhões anuais, valor que, segundo Almeida, pode ser ampliado com a substituição de áreas de pecuária extensiva de baixa rentabilidade pelo cultivo de dendê.

Sustentabilidade e expansão sem desmatamento

Um dos pontos centrais da estratégia da Abrapalma é o uso de áreas já impactadas. O estado possui mais de 7 milhões de hectares de pastagens degradadas que podem ser convertidas para o plantio, sem a necessidade de avançar sobre florestas nativas. Essa característica coloca o óleo de palma paraense em uma posição de destaque global em termos de sustentabilidade.

“Nos últimos anos, a gente passou por uma lei, que foi o zoneamento agroecológico, que novas áreas plantadas só podem ser feitas em áreas de pastagem degradadas, abertas antes de 2008. Então, ambientalmente hoje, a palma brasileira já é a mais sustentável do mundo. Além disso, a gente tem que manter a reserva legal de 50%.”

Mercado interno e exportação

Além de atender à demanda interna — o Brasil ainda consome mais do que produz —, o setor enxerga no mercado europeu uma oportunidade estratégica. As exigências do bloco econômico contra o desmatamento favorecem o modelo paraense, que utiliza áreas convertidas antes de 2020. Para viabilizar esse cenário, o presidente da entidade reforça a necessidade de melhorias na infraestrutura logística, como a concessão da PA-150, e políticas públicas robustas de apoio ao desenvolvimento regional.

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