O portal do Tribunal Superior Eleitoral registrou como alterações de locais de votação diversos casos em que os endereços das seções no segundo turno continuam exatamente os mesmos do primeiro. A falha reduziu o impacto real das modificações, fazendo com que o volume efetivo de mudanças ficasse abaixo das 2.033 contabilizadas inicialmente pela plataforma oficial do tribunal no último domingo.
Divergências regionais e queda nos números
Diante das inconsistências, os Tribunais Regionais Eleitorais passaram a publicar em suas plataformas oficiais os dados reais de modificação. Em Pernambuco, por exemplo, o sistema nacional apontava 24 municípios com alterações, mas o TRE estadual confirmou que apenas seis seções mudaram de endereço, distribuídas entre Floresta e Buíque. Situação idêntica ocorreu em Alagoas, onde o TSE indicava mudança em Delmiro Gouveia, mas o TRE local assegurou que nenhuma seção foi alterada no estado.
Após ser acionada, a assessoria do órgão federal informou que investigará a falha e que o sistema passa por atualizações constantes. Com os ajustes, o número de seções modificadas despencou nas horas seguintes. Para evitar transtornos, a recomendação oficial é que o eleitor verifique antecipadamente o local correto de votação por meio do aplicativo e-Título ou do portal de autoatendimento da Justiça Eleitoral.
Especialistas apontam risco de desconfiança
Além das duplicações entre os turnos, levantamentos indicam que alterações ocorridas ainda nas eleições municipais de 2024 foram exibidas pelo sistema como se tivessem acontecido recentemente. Para a advogada eleitoralista Emma Roberta Bueno, embora trocas de última hora por problemas estruturais sejam normais, a divergência de dados gera ruídos desnecessários.
“É importante que a gente diga de forma expressa, para não alimentar desinformação, que o endereço informado no e-título está correto. Mas essa confusão com os números gera ruído e desconfiança num momento em que a Justiça Eleitoral deveria ser a fonte mais segura de informação”, disse Bueno.
O advogado Fernando Naisser reforça a necessidade de agilidade na correção dos dados. “Não faz sentido que isso siga acontecendo durante a semana, porque aí tornaria praticamente impossível as pessoas serem informadas”, afirmou.
Esforço concentrado e autonomia das zonas eleitorais
Para contornar o problema, os TREs iniciaram uma força-tarefa informativa. No Paraná, o tribunal estadual identificou mudanças em apenas oito locais, enquanto o painel nacional exibia 61. Cenários parecidos foram relatados em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde os dados locais divergiram para menos em relação ao sistema central do TSE.
O tribunal federal esclareceu que a gestão dos locais de votação não é centralizada, ficando a cargo de cada zona eleitoral avaliar a infraestrutura local e definir eventuais remanejamentos com base na realidade de cada município.
Cobrança por comunicação ativa
Especialistas defendem que a Justiça Eleitoral adote uma postura mais direta na comunicação com os cidadãos impactados, indo além das consultas individuais.
“Os avisos poderiam ser enviados pelo próprio aplicativo ou por mensagens aos eleitores. Outra medida seria sinalizar, nos prédios utilizados no primeiro turno, os novos endereços das seções transferidas”, disse a advogada.
Segundo Naisser, o principal desafio é garantir que as pessoas sejam informadas sobre eventuais mudanças com tempo hábil. “O principal ponto aqui é que a Justiça Eleitoral consiga informar em tempo as pessoas e não só presumir que as pessoas vão entrar no e-Título e ver”, afirmou.
A expectativa é de que os sistemas sigam estabilizados até a data do pleito, garantindo que o eleitor compareça ao endereço correto sem confusões geradas por falhas técnicas na divulgação dos dados.
