Um em cada quatro adolescentes no mundo, o equivalente a cerca de 240 milhões de jovens, não pratica pelo menos 60 minutos de atividade física em nenhum dia da semana. O cenário é ainda mais preocupante entre as meninas, que apresentam níveis de atividade física consistentemente inferiores aos dos meninos.
Radiografia da inatividade juvenil
Os dados fazem parte de um estudo publicado na revista científica The Lancet Global Health, que analisou informações de 3,2 milhões de adolescentes de 11 a 17 anos, coletadas em 140 países. A pesquisa revela que, apesar das iniciativas globais para incentivar a prática de exercícios, os níveis de atividade física entre adolescentes praticamente não mudaram nos últimos 15 anos.
Em 2025, os jovens registraram, em média, apenas 2,7 dias por semana com pelo menos uma hora de atividade física de intensidade moderada a vigorosa. Apenas 13,9% relataram atingir esse tempo nos sete dias da semana. O levantamento também identificou diferenças importantes entre países ricos e pobres, além de desigualdades persistentes entre meninos e meninas.
Desigualdade acentuada no Brasil
O Brasil está entre os países onde essa diferença é mais acentuada: os meninos relataram, em média, de 1,1 a 1,2 dia ativo a mais por semana do que as meninas. A Organização Mundial da Saúde recomenda que adolescentes pratiquem, em média, 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa ao longo da semana. Segundo os pesquisadores, nenhum país está no caminho para alcançar a meta global de redução da inatividade física entre adolescentes estabelecida para 2030.
Fatores socioeconômicos e barreiras de gênero
A desigualdade entre os sexos é um dos principais resultados da pesquisa. Em todas as regiões analisadas, as meninas apresentaram, de maneira geral, níveis inferiores de atividade física em comparação com os meninos. Entre as barreiras enfrentadas pelas meninas estão normas de gênero restritivas, preocupações com a segurança e a falta de oportunidades e atividades adequadas às suas necessidades e preferências.
O estudo reuniu dados de 389 levantamentos realizados em 140 países. Para os autores, programas voltados apenas à mudança de comportamento individual provavelmente não serão suficientes para reduzir essas desigualdades, exigindo políticas públicas mais amplas que considerem as realidades locais e econômicas de cada nação.
