Uma ocupação promovida por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) mobilizou neste sábado (1º) uma guarnição da Polícia Militar no Retiro Cajazeiras, propriedade rural situada a cerca de 10 quilômetros do Distrito Rio Vermelho, na zona rural de Xinguara, na divisa com o município de Eldorado do Carajás, no sudeste do Pará.
Segundo informações repassadas pela corporação, aproximadamente 300 pessoas ligadas ao movimento tomaram posição na entrada do imóvel, bloqueando o acesso de funcionários e dos proprietários à Fazenda Surubim. Colaboradores da propriedade relataram que o grupo chegou transportando grande quantidade de alimentos; um indício, segundo eles, de que a permanência no local deve se estender por vários dias.
Ainda de acordo com o relato de trabalhadores da fazenda, foram avistadas entre os ocupantes ferramentas comumente usadas em atividades do campo, como foices, machados e facões. O deslocamento até a propriedade teria sido feito em comboio, com uso de ônibus fretados, veículos de passeio e motocicletas.
Diante da ocorrência, a Polícia Militar realizou o levantamento inicial das informações e comunicou o caso às equipes da Delegacia de Conflitos Agrários (DECA) e do Batalhão de Polícia Rural, que já se deslocam para a região a fim de acompanhar de perto os desdobramentos. Até o momento, não há registro oficial de confrontos ou feridos, e a corporação afirma manter o monitoramento da área.
Uma região marcada por décadas de conflito agrário
A ocupação ocorre em uma das áreas mais sensíveis do mapa fundiário paraense. Xinguara e Eldorado do Carajás integram uma região historicamente marcada por disputas entre movimentos de trabalhadores rurais sem-terra e proprietários de grandes fazendas um cenário que remonta pelo menos à década de 1990, quando o município de Eldorado do Carajás ficou nacionalmente conhecido em razão de um violento confronto entre policiais militares e integrantes do MST durante uma marcha, episódio que se tornou símbolo da luta pela reforma agrária no país e resultou em profundas mudanças na forma como o Estado passou a lidar com esse tipo de ocupação.
A própria Fazenda Surubim já foi, em anos anteriores, palco de disputas judiciais envolvendo a posse da terra, com famílias ligadas a movimentos de trabalhadores rurais reivindicando parte da área para fins de assentamento, em contraposição aos que se apresentam como proprietários do imóvel.
Próximos passos
A reportagem apurou que, em situações similares registradas na região sul do Pará, o desfecho costuma depender de decisões judiciais sobre reintegração de posse, além de negociações mediadas por órgãos como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a própria DECA. Até o fechamento desta edição, nem o MST nem representantes da Fazenda Surubim haviam se pronunciado oficialmente sobre o caso. (Com informações da Polícia Militar do Pará e de colaboradores da Fazenda Surubim.)
