Canaã dos Carajás se torna o sexto campus da Unifesspa após publicação no Diário Oficial da União

Canaã dos Carajás se torna o sexto campus da Unifesspa após publicação no Diário Oficial da União

Canaã dos Carajás passou, nesta quinta-feira, a integrar oficialmente o mapa da educação superior pública federal como sede de um campus universitário pleno. A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) confirmou que o município se tornou o sexto campus da instituição, por meio da Portaria SERES/MEC nº 255, publicada no Diário Oficial da União em 18 de junho de 2026. O ato da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior, vinculada ao Ministério da Educação, chancela em nível federal um processo que já vinha sendo costurado pela própria universidade desde o início do ano.

A data não é casual: a oficialização chega na semana em que a Unifesspa completa 13 anos de existência, celebrando o aniversário de criação da instituição, instituída em 2013 a partir do desmembramento do campus de Marabá da Universidade Federal do Pará, exatamente no momento em que amplia sua estrutura para o sudeste paraense.

Da parceria municipal ao reconhecimento do MEC

A trajetória que culminou na portaria federal começou muito antes de junho. A presença da Unifesspa em Canaã dos Carajás tem origem em uma parceria institucional com a Prefeitura Municipal, iniciada a partir da implantação do Polo de Ensino, Pesquisa, Extensão, Tecnologia e Inovação de Canaã dos Carajás (PEPETI). O primeiro vestibular foi realizado em 2019, com a oferta dos cursos de Agronomia e Letras, seguido pela ampliação gradual das atividades acadêmicas, com a abertura de turmas de Jornalismo, Engenharia Florestal, Engenharia da Computação, Matemática e Física, além da oferta de curso de especialização e do desenvolvimento de diversos projetos de pesquisa e extensão.

Em 2024, o município deu um passo decisivo para viabilizar a estrutura física da futura unidade. A Unifesspa recebeu o prédio custeado pelo poder público municipal por meio de recursos do Fundo Municipal de Desenvolvimento Sustentável (FMDS) para oferecer suporte acadêmico e administrativo adequado a alunos, docentes e técnicos enquanto Polo. A parceria entre a Prefeitura de Canaã dos Carajás e a Unifesspa garantiu a oferta de 14 cursos de graduação e atendeu mais de 400 acadêmicos ao longo desse período de funcionamento como polo.

O passo institucional seguinte veio em janeiro deste ano, quando a reitoria da Unifesspa aprovou internamente a criação do campus. A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará aprovou, ad referendum do Conselho Universitário (Consun), a criação do Campus Universitário de Canaã dos Carajás, por meio da Portaria nº 0011/2026, assinada pela reitoria da instituição, que integrou o processo de reestruturação institucional então em debate na universidade. A decisão se apoiou em uma justificativa técnica e institucional elaborada por uma comissão multissetorial, que atestou a viabilidade da implantação considerando justamente a infraestrutura física já construída e mantida pelo município, somada a acordos de cooperação que garantiam o custeio inicial das atividades sem impacto financeiro imediato para a universidade.

A Portaria SERES/MEC nº 255/2026, publicada cinco meses depois, é o elo que faltava nessa cadeia: o reconhecimento pelo Ministério da Educação, que dá validade plena em âmbito federal à decisão já tomada internamente pela Unifesspa, encerrando o caráter provisório do convênio com a prefeitura e transformando definitivamente o antigo polo em campus universitário.

O que muda na prática para Canaã dos Carajás

A diferença entre operar como polo vinculado por convênio e existir como campus pleno é mais do que simbólica. Conforme destacou, Leuzilda Rodrigues, coordenadora de Ensino Superior do município de Canaã dos Carajá, por ocasião da oficialização institucional em janeiro, a criação do campus abre oportunidade para a realização de concursos e a oferta de cursos regulares de graduação, já que, a partir da existência do campus, a instituição pode buscar junto ao Ministério da Educação as vagas para todos os cargos, viabilizando concursos específicos para o quadro de profissionais que atuará na Unifesspa em Canaã dos Carajás.

Isso significa, na prática, que a unidade deixa de depender exclusivamente de docentes e técnicos cedidos ou vinculados por convênio e passa a poder estruturar um quadro próprio e permanente de servidores federais, concursados especificamente para atuar no município. A mudança tende a dar mais estabilidade aos cursos já oferecidos e a viabilizar a instalação de laboratórios, grupos de pesquisa e programas de inovação tecnológica que normalmente só se consolidam quando há corpo docente fixo.

No campo acadêmico, o planejamento da universidade para 2026 já previa, mesmo antes da chancela do MEC, a abertura de novas turmas em áreas estratégicas para o desenvolvimento da região. Estão listados os cursos de Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Engenharia Ambiental e de Minas, e Direito. Na pós-graduação stricto sensu, a expectativa é que a universidade passe a ofertar mestrados em Ciências Forenses e em Linguagem, este último com habilitações em Letras, Literatura, Inglês e Artes.

A oferta dessas vagas, aliás, já avançou em paralelo à tramitação da portaria: em abril, prefeitura e universidade abriram inscrições para o Processo Seletivo 2026 (PS 2026), parceria por meio da qual o certame visou o preenchimento de vagas nos cursos de graduação em Direito, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica e Engenharia Mecânica.

Próximos passos: prédio novo e cooperação técnica

A oficialização pelo MEC não fecha o processo de consolidação da unidade, ela o impulsiona. Documentos produzidos no início do ano, quando a Unifesspa aprovou internamente a criação do campus, já sinalizavam a próxima fronteira: a expansão física da estrutura. Está nos planos da universidade a construção de um novo prédio acadêmico, com cinco pavimentos, destinado ao atendimento dos cursos regulares, cuja eventual execução está condicionada à consolidação do processo de criação do campus, bem como à doação da área atualmente utilizada à Unifesspa pela prefeitura.

Esse último ponto é central: enquanto o terreno e o prédio atual continuarem sob custódia municipal mediante convênio, a universidade opera em regime de cooperação técnica, não de propriedade plena. A assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica entre as partes, cuja minuta já havia sido apresentada pela Unifesspa à prefeitura no início do ano, é o instrumento que deve formalizar a doação definitiva da área e viabilizar, na sequência, a obra do novo prédio acadêmico.

Um campus a mais em uma universidade que cresce pela interiorização

Com a inclusão de Canaã dos Carajás, a Unifesspa amplia para seis o número de campi distribuídos pelo sudeste paraense, reforçando uma estratégia de interiorização do ensino superior público que já alcança municípios como Santana do Araguaia, São Félix do Xingu, Rondon do Pará e Xinguara, além da sede em Marabá. A lógica por trás dessa expansão é a mesma que orientou a chegada da universidade a Canaã dos Carajás em 2019: levar formação acadêmica federal a regiões de forte atividade econômica, no caso de Canaã, fortemente marcada pela mineração, sem que estudantes precisem se deslocar para outros municípios em busca de ensino superior público e gratuito.

A celebração pelos 13 anos da Unifesspa, marcados nesta semana, ganha assim um significado adicional para a comunidade canaanense: a universidade que chegou ao município como projeto piloto há sete anos, sustentada por convênio e prédio cedido pela prefeitura, conclui agora o ciclo que a transforma em estrutura permanente, com status equivalente ao das demais unidades já consolidadas da instituição.

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