A conduta de uma enfermeira de Salinópolis, município do nordeste do Pará, será investigada por racismo contra um designer de São Paulo. A enfermeira Jessica Siqueira Rodrigues escreveu comentários considerados racistas contra o designer e artista paulista Wallison Martins, de 35 anos, que já denunciou a situação para a Polícia Civil de São Paulo e para o Conselho Regional de Enfermagem do Estado do Pará (Coren). O artista ainda pretende processar a paraense na Justiça. O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais.
Tudo começou com um comentário de Wallison Martins, em uma notícia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarava que a eleição brasileira teria “dado uma impressão ruim”. Wallison ironizou a fala de Trump. Em seguida, a enfermeira Jéssica Siqueira Rodrigues escreveu um comentário sobre Wallison. “@waamartins a skin sempre é a mesma… pode se cobrir pelo capitalismo, mas a cara de favelado não muda”, disse a enfermeira.
Após o artista denunciar o preconceito na internet, muitas pessoas começaram também a denunciar o perfil de Jéssica. Essa foi a primeira vez que Wallison disse ter sofrido ataques racistas na internet. “Me senti indignado com a desfaçatez dela de destilar tanto ódio de graça, e de estimular preconceito de forma tão escancarada. Meu sentimento foi de surpresa por ver que o racismo esta naturalizado nas redes sociais”, declarou o designer.
[instagram=De_6qBSm0sU]
Na postagem Wallison publicou um posicionamento destacando a trajetória profissional e acadêmica. Wallison se diz orgulhoso da carreira na periferia, e trabalho em empresas como Petrobras, Porto e Meta. Ele também atua como professor e artista, tendo exposto seu trabalho em Nova York. Além de ser embaixador do Google Brasil.
Ele não esperava que a denúncia feita em uma publicação no seu perfil do Instagram ganhasse tanta repercussão. “Não imaginei não, mas também não fiquei surpreso porque a agressão e a incoerência chamam atenção, além do fato dela ser uma enfermeira em uma cidade majoritariamente negra”, comentou.
Ele conta que tomou muito cuidado ao divulgar a situação na internet para também deixar com que ataques misóginos, ou sobre a intimidade da enfermeira, fossem feitos. “Meu ponto não é a sua intimidade e sim o crime que ela cometeu contra mim”, destacou. “Eu acho a repercussão legítima, embora eu não aprove ataque a ela como mulher, inclusive tomei muito cuidado em fazer uma denúncia sem ataques, sem me reaixar ao nivel dela, justamente por isso”, complementou.
Wallison denunciou o caso para o Conselho Regional de Enfermagem do Pará (Coren-PA). Jessica Siqueira Rodrigues, que utilizava o perfil @enfermeira.jessicarodrigues no Instagram, desativou o perfil. Jessica se identificava como enfermeira, pós-graduanda em Urgência e Emergência e também CEO da empresa Netuno Fire Cursos e Serviços Ltda – cujo perfil no Instagram também está inativo.
A reportagem tenta contato com a denunciada Jessica Siqueira Rodrigues. O espaço segue aberto para sua defesa.
A situação levou a uma manifestação pública do Conselho Regional de Enfermagem do Pará (Coren-PA). A entidade publicou uma nota oficial sobre o episódio informando que tomou conhecimento das declarações atribuídas à profissional de Enfermagem e que recebeu uma manifestação da Ouvidoria. O Coren-PA diz que o caso será apurado, com observância dos procedimentos cabíveis.
“O Coren-PA lamenta o ocorrido e reafirma seu repúdio a toda e qualquer forma de racismo, discriminação e violência. Embora a liberdade de expressão seja um direito fundamental, ela não deve ser utilizada para justificar manifestações que violem a dignidade humana, promovam preconceitos ou desrespeitem outras pessoas. Devendo sempre as relações serem pautas em comportamento ético e respeitoso”, diz a nota.
[instagram=DfFNAFMqHDY]
“A Enfermagem é uma profissão comprometida com o cuidado, a ética, o respeito à diversidade e a dignidade de todos. Manifestações racistas são incompatíveis com esses princípios e com os valores que devem nortear a conduta dos profissionais de Enfermagem”, completou.
EXPECTATIVA – O artista Wallison Martins reforçou a importância das pessoas que sofrem racismo ou outras formas de preconceito denunciarem
“Apenas reforçar a importância de denunciar o racismo, de não abaixar a cabeça para situações como esta e reforçar que o que é crime na vida real, também é na rede social e que precisamos denunciar para jamais naturalizar crimes digitais como se fosse uma simples ‘opinião’. Racismo é crime e ponto!”, declarou o artista.
