Música na academia: como a escolha do som altera o rendimento no treino

Música na academia: como a escolha do som altera o rendimento no treino

Escolher o som ideal para acompanhar a rotina de exercícios vai muito além do mero entretenimento. Estudos indicam que a trilha sonora correta ajuda a fazer o tempo passar mais rápido, estimula o ganho de ritmo, reduz a percepção de cansaço e melhora o humor dos praticantes de atividades físicas.

O impacto no cérebro e na percepção de esforço

Do ponto de vista neurológico, a música promove neuroplasticidade e ativa redes cerebrais sensoriomotoras. A musicoterapeuta Cléo Monteiro França Correia destaca que as batidas musicais podem promover benefícios psicológicos, físicos e na frequência cardíaca, desviando a atenção da pessoa em relação ao esforço físico empregado e promovendo motivação e o desejo de melhorar os hábitos de vida.

Os especialistas concordam que o som altera a forma como o praticante lida com o cansaço. Na visão de Cléo, os sinais de fadiga não são eliminados, mas a música promove uma sensação de bem-estar, desviando a atenção da pessoa em relação ao esforço físico empregado. O professor Sérgio Gregorio da Silva, Diretor do Centro de Educação Física e Desportos da UFPR, reforça que a música pode dar ânimo, tornar o exercício mais agradável e ajudar a manter o ritmo. Mas esquecer o fone não significa perder o treino. Nos nossos estudos, vimos que a música pode modificar tanto a maneira como a pessoa se sente quanto o ritmo que ela escolhe para se exercitar.

A influência do BPM e os estilos favoritos

A cadência ideal depende da modalidade e da zona cardíaca de esforço. Enquanto a caminhada costuma se alinhar com faixas de 100 a 130 BPM, a corrida pede uma cadência voltada para 160 a 180 passos por minuto. No entanto, o fator emocional e a preferência pessoal continuam soberanos. Dados de preferência nacional apontam o pop como o ritmo favorito dos brasileiros nas academias, seguido por eletrônica, rock, metal e sertanejo.

A energia e a conexão emocional

Para além da matemática dos batimentos por minuto, o produtor musical e compositor Hitmaker ressalta que a energia transmitida pela faixa é determinante. Independentemente do BPM, a energia que aquelas músicas causam na gente por causa da letra, dos instrumentos e da variação rítmica é o que importa, aponta o profissional, que também faz um alerta bem-humorado sobre a escolha do repertório. O clima da playlist importa. Se eu acordo numa segunda-feira sem querer treinar, não quero lembrar de problemas, não quero lembrar da ex. Eu quero, assim: vamos viver, favela chegou. Acorda, dá três tapas na cara e vamos para o treino.

No fim das contas, a trilha sonora atua como uma ferramenta para combater o tédio e fortalecer o vínculo com o próprio corpo. Como resume o produtor musical, o principal é você conseguir se sintonizar com você mesmo, achar a música que toca você, o esporte que toca você, e o teu BPM da vida. O importante é a gente não ficar parado.

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