A Netflix expande seu catálogo nacional nesta quarta-feira (28) com a estreia de Dom de Iludir. A trama, que conta com direção-geral de Mauro Mendonça Filho, traz um elenco de peso, encabeçado por Marieta Severo como Lúcia Rossetti, Alice Wegmann na pele de Maíra e Nanda Costa interpretando Irina. A história central gira em torno de uma colecionadora de arte da alta sociedade carioca que lida com tensões familiares e uma série de mentiras que envolvem a saúde misteriosa de sua filha.
O paradoxo do Rio de Janeiro na trama
O diretor Mauro Mendonça Filho buscou imprimir uma atmosfera específica na obra, explorando os contrastes da capital fluminense. “Eu trouxe um pouco essa mística do Rio de Janeiro, uma cidade que é deslumbrante e linda, mas cheia de paradoxos. Completamente, é um paradoxo completo, do começo ao fim. E essa é a nossa vida, a gente vive esse paradoxo constantemente. Quis colocar isso na série também, que tem o máximo do glamour e o máximo também da bandidagem. As duas coisas juntas, ética e bandidagem ao mesmo tempo”, conta Mauro Mendonça Filho.
A narrativa ganha contornos dramáticos quando Lúcia busca o auxílio de uma terapeuta espiritual, Irina, para tratar a doença desconhecida de Maíra. A partir daí, o espectador é levado a questionar as aparências dos personagens. Segundo o diretor, a série propõe uma reflexão sobre as estruturas familiares: “Fala-se muito em família e às vezes como um escudo, um amor, como orgulho. Mas família envolve muita coisa, às vezes, opressão, valores incríveis e bastante questionáveis”.
Complexidade e conexões tóxicas
Marieta Severo destaca a dualidade das famílias retratadas na série. “São conexões tóxicas. São muitas conexões, realmente; são famílias que se amam tanto uma quanto a outra, você vê que tem uma conexão amorosa ali muito forte, uma consciência do valor da vida familiar, seja ela encarada como for, mas com muitas dificuldades, quer dizer, com muitos terrenos muito nebulosos, muito estranhos, muito duvidosos. Então é muito bom você abordar essas duas vidas familiares de maneiras tão ricas, tão complexas. Tem uma complexidade ali nas duas famílias de atitude, de postura de vida, de maneira de exercer o afeto. É um terreno muito vasto, que acho que é muito bem abordado”, explica a atriz.
Dinâmicas familiares e manipulação
Do lado da família Petrov, a dinâmica é centralizada na figura de Bóris, interpretado por José de Abreu. Nanda Costa descreve a rigidez do núcleo: “Tem uma rigidez, eu acho, nessa família, como se fosse tanto nos Rossetti quanto nos Petrov, que tem essa coisa da idealização da família, de como tem que ser, do meu jeito, tem que seguir, tem que fazer. O pai tem muito isso, ele é um grande manipulador da família, ele fala: amo a família e a família tem que ser assim. Ele tem um jeito ali muito controlador, muito aprisionador, muito tóxico. E a família funciona dessa forma, mas é muito bonito ver a relação também da Irina com a irmã. Elas tiveram a mesma educação, elas sofreram uma perda e chega em algum momento que a sensação que dá é que o amor vence”.
Para Alice Wegmann, a identificação entre sua personagem e a de Nanda Costa é o que move a trama: “Eu acho que tem um lugar que a Maíra e a Irina se encontram, que é nesse campo de ter duas figuras autoritárias muito fortes em cima delas. A Irina tem o Bóris e a Maíra tem a Lúcia. Acho que em algum lugar isso causa uma rachadura, uma ferida nas duas e elas se encontram ali, nesse lugar de vulnerabilidade, talvez, não sei. Eu acho que elas se envolvem por outros motivos e isso é quase um ímã para as duas. Mas acho essas relações todas muito simbióticas, assim, as pessoas se misturam ali dentro das duas casas, apesar das diferenças de classe social, de criação, de tudo.”
O elenco conta ainda com nomes como Luciana Paes, Felipe Camargo, Laila Garin, Heloisa Jorge, Allan Souza Lima, Jonas Bloch, Yanna Lavigne, Rosanna Viegas, Rui Ricardo Diaz e o paraense Phellipe Marques. Sobre a experiência de gravar uma obra fechada, Marieta Severo conclui: “Por ser uma série fechada assim você tem a enorme vantagem de já ter ela inteira na sua mão; quando você vai fazer já sabe todo o percurso do seu personagem, até onde ele vai, o que, inclusive, é revelado no final da história e que serve de motivação para a construção do personagem. Isso é que é maravilhoso para um ator ao fazer uma obra fechada, digamos, porque você vai lidar com todas as nuances, toda a complexidade, tudo o que faz parte do bojo daquele personagem”.
