Música do Pará ganha o mundo com turnês e festivais globais

Música do Pará ganha o mundo com turnês e festivais globais

O ano de 2026 marca um período de expansão sem precedentes para a música produzida no Pará. Com uma agenda repleta de apresentações internacionais, nomes consagrados e novos talentos da cena amazônica estão levando sonoridades regionais para diferentes continentes, consolidando o estado como um dos grandes exportadores de cultura brasileira na atualidade.

Ascensão internacional do Baile do Mestre Cupijó

Destaque recente nos palcos europeus, o Baile do Mestre Cupijó vive um momento histórico. O grupo, que preserva o siriá, o banguê e o mambo amazônico, realizou sua primeira turnê internacional, passando por Lisboa e Las Palmas de Gran Canaria, na Espanha. Além das apresentações, a banda integrou a programação do WOMEX 2026, um dos encontros de música mais influentes do planeta.

Kleyton Silva, vocalista do grupo, avalia que este ciclo de apresentações é o reflexo de um trabalho de uma década dedicado à obra de Mestre Cupijó.

“Essa primeira viagem internacional está conectada também com o interesse internacional sobre a música da Amazônia e a maturidade do projeto, em que a gente começa a alçar novos espaços.”, pontua Kleyton Silva, vocalista do grupo, que tem dez anos de estrada. ”É um bom momento para que o Mestre Cupijó possa nos levar a outros espaços. A gente sempre diz que é ele quem nos leva e não a gente que leva a música dele”, completa.

A música amazônica na Ásia e na Europa

A força da cultura paraense também chegou ao Oriente. Fafá de Belém, celebrando 50 anos de trajetória, apresentou-se no 29º Festival da Lusofonia, em Macau, na China. A cantora, que recentemente lançou o projeto “Encontro das Nazarés” em Lisboa, reforça o intercâmbio cultural entre a Amazônia e o território europeu.

O músico e arranjador Manoel Cordeiro, que também se apresentou na China ao lado do filho, Felipe Cordeiro, ressalta a complexidade e a identidade sonora da região.

“Eu chamo música popular brasileira feita na Amazônia, uma música potente e legítima do sentimento de fusão, de buscar coisa nova”, ressalta. Sobre a recepção do público estrangeiro, ele afirma: “Foi uma sensação muito legal, e percebemos o interesse do povo chinês pelo que nós estávamos fazendo, como é a nossa música”.

Zaynara e o impacto do Beat Melody

Outro nome que ganha destaque global é a cantora Zaynara. Após o sucesso no Rock in Rio, a artista prepara-se para o Grammy Latino, onde concorre na categoria de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa com “Amor Perene”. Na sequência, ela realiza seu primeiro show em Portugal, no Festival Floresta Amazônica.

“Estou muito feliz em viver esse momento da minha carreira e em ver onde o Beat Melody está chegando. Poder levar a música paraense para outro país, como Portugal, logo após minha primeira indicação ao Grammy Latino, é algo com o que eu sonhava, mas que também não esperava que acontecesse tão rápido”, afirmou Zaynara.

Essa intensa movimentação artística reafirma o prestígio dos ritmos paraenses, que encontram no exterior um terreno fértil para a valorização de suas raízes e fusões contemporâneas.

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