A tensão eleitoral resultou em violência e intervenção policial na noite de quarta-feira (21), na capital paraense. Dois episódios distintos com motivação política movimentaram as ruas de Belém, deixando um rastro de agressões físicas mútuas no bairro do Telégrafo e uma acusação de porte ostensivo de arma na região da Doca.
Confronto físico filmado na avenida Pedro Álvares Cabral
O primeiro tumulto ocorreu em uma das artérias de trânsito mais movimentadas da cidade. Imagens captadas por testemunhas e divulgadas em redes sociais mostram o momento em que apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) entraram em confronto aberto.
A gravação flagrou uma sequência de agressões que incluiu socos, chutes e arremesso de objetos pela via pública. Alguns participantes chegaram a utilizar mastros de bandeiras como instrumentos de ataque. O motivo inicial que desencadeou o tumulto generalizado ainda não foi esclarecido.
Denúncia de ameaça contra estudantes no Reduto
Pouco depois, um segundo atrito exigiu ação direta da Polícia Militar no bairro do Reduto, no cruzamento da avenida Visconde de Souza Franco com vias adjacentes. No local, um grupo de jovens que realizava uma manifestação favorável à reeleição de Lula relatou ter sofrido intimidação por parte de um homem a bordo de um veículo adesivado com propaganda de Flávio Bolsonaro.
De acordo com testemunhas presentes no ato, o suspeito teria empunhado uma arma de fogo para coagir os estudantes. O homem foi detido pelos militares para averiguação da ocorrência.
Defesa nega porte de arma e atribui apreensão ao volume de som
Identificado no episódio, Luizinho Rex Sonoro divulgou um comunicado oficial desmentindo a acusação de violência armada e esclarecendo que a abordagem policial teve relação exclusiva com regras de emissão sonora.
O operador de som emitiu a seguinte declaração:
“Venho esclarecer que são falsas as informações divulgadas junto ao vídeo do momento da apreensão do meu equipamento de som, afirmando que fui preso por sacar uma arma contra estudantes que representavam outro partido político.
O que realmente aconteceu foi uma fiscalização por excesso de potência sonora. Colaborei com os agentes, interrompi imediatamente a reprodução do som e não ofereci resistência. O equipamento foi recolhido em razão do limite de potência sonora, conforme consta no registro da ocorrência.
A divulgação desse vídeo, associada a uma acusação dessa gravidade e apresentada como se tivesse ocorrido contra estudantes que representavam outro partido político, prejudica minha imagem, minha reputação e meu trabalho como operador de som, profissão da qual tiro meu sustento e pela qual sou contratado por terceiros.
Peço que não compartilhem informações falsas ou vídeos fora de contexto. A verdade dos fatos deve prevalecer, independentemente de posicionamentos ou disputas políticas.
Respeito à verdade é respeito às pessoas. Assinado: Luizinho Rex Sonoro”
As autoridades de segurança pública foram consultadas a respeito dos procedimentos adotados, da confirmação de flagrantes ou de eventuais detenções formais decorrentes das duas ocorrências, mas os desdobramentos oficiais das apurações ainda não foram informados.
