Melhorias relacionadas ao ensino e à aprendizagem são a principal expectativa de pelo menos um quarto dos estudantes brasileiros do ensino médio em relação aos governos que se iniciam em 2027. A qualidade do ensino, para esse grupo, está diretamente relacionada à atuação do professor.
Expectativas e demandas dos alunos
O levantamento ouviu 5.296 alunos do ensino médio e do ensino fundamental 2, do sexto ao nono ano, distribuídos pelas cinco regiões do país. Entre as principais exigências apontadas por eles estão aulas diferentes, dinâmicas em salas de aula, capacitação de professores e menos falta dos professores.
O estudo intitulado O que os estudantes pensam sobre a Educação? foi encomendado ao Instituto DataFolha por um grupo de fundações e institutos, incluindo Itaú, Lemann, Telefônica Vivo, Natura, Sonho Grande, Unibanco e Todos Pela Educação. O questionário abordou o processo de aprendizagem, a atuação dos docentes, a educação profissional, o uso de tecnologia e o formato de tempo integral.
O papel e o desempenho dos docentes
Os dados coletados indicam que a percepção dos estudantes, com idades entre 12 e 21 anos, sobre a didática dos professores impacta diretamente a avaliação geral da instituição de ensino. Entre os que dizem que os professores explicam bem os conteúdos, 75% avaliam a escola como boa ou ótima, enquanto o percentual cai para 48% entre os que pensam o contrário.
O diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, Gabriel Corrêa, afirma que os estudantes colocam as oportunidades de aprendizagem no topo de suas expectativas sobre o que é uma boa escola.
“É um dado que ajuda a reforçar onde deve estar a prioridade absoluta da política pública nos próximos anos: na aprendizagem.”
Segundo ele, o momento de eleições e o início de novos mandatos trazem oportunidade de revisão de estratégias e de repactuação de compromissos.
“[Nesse contexto], o país precisa acelerar muito o ritmo de crescimento dos indicadores de qualidade educacional.”
A pesquisa também detectou diferenças entre etapas de ensino. No ensino fundamental 2, 78% avaliam que os professores estão motivados para dar aulas, índice que recua para 69% no ensino médio. Além disso, a ausência de docentes é mais sentida no ensino médio, onde 66% relatam que há disciplinas que ficam sem professor por um tempo, ante 61% no fundamental 2.
Educação profissional e tecnologia
No que tange à formação complementar, mais de 90% consideram importante ter a oportunidade de fazer um curso técnico ou profissionalizante durante essa fase escolar. O índice contrasta com a realidade do Censo Escolar 2025, que aponta apenas cerca de 20% dos matriculados no ensino médio cursando a educação profissional.
Inteligência artificial e rotina digital
A tecnologia já faz parte do cotidiano escolar, com 70% dos alunos afirmando que os professores utilizam ferramentas tecnológicas pelo menos uma vez por semana. A inteligência artificial também se faz presente, pois 71% relatam usar IA com frequência ou às vezes para estudar. Contudo, quase um terço dos estudantes discorda que o corpo docente esteja bem preparado para lidar com a tecnologia em sala.
Vantagens do ensino em tempo integral
Entre os matriculados em tempo integral, 74% classificam a escola como boa ou ótima, comparados a 68% no ensino regular. Os pontos positivos apontados incluem maior tempo para aprender, prática de esportes e artes, além de melhor preparação para vestibulares e para o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. No contraponto, 20% dos alunos do ensino médio regular afirmam que não estudam em tempo integral porque precisam trabalhar para garantir renda.
Para Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, a pesquisa revela que os estudantes têm consciência sobre o que é importante para a escola. Quando a aprendizagem aparece como prioridade e a formação técnica, a tecnologia, o tempo integral e a possibilidade de escolha ganham relevância, há um recado claro para as políticas públicas, de acordo com a especialista.
“Ouvir os jovens é fundamental para construir respostas mais conectadas à realidade das escolas e garantir condições para que cada estudante e futuro profissional avance em sua trajetória com qualidade, equidade e perspectivas concretas para o futuro.”
