A morte do pequeno Anthony Carneiro Camargos, de apenas 2 anos e 2 meses, provocou forte comoção e revolta em Parauapebas, no sudeste paraense. O falecimento ocorreu no último sábado (17 de outubro), no Hospital Regional Materno Infantil de Marabá, após o menino passar por atendimento médico prévio na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Parauapebas e no Hospital Municipal de Eldorado do Carajás, onde o quadro de saúde foi reiteradamente tratado apenas como acumulação de gases.
A peregrinação médica e a recusa de exames
O calvário da família começou na manhã de quarta-feira (14 de outubro), quando o garoto foi levado à UPA com febre e dores na garganta. Após ser diagnosticado com infeção de garganta e receber medicação, o estado de saúde mudou rapidamente. O abdômen começou a inchar, houve recusa de alimentos, interrupção na evacuação e dificuldades para respirar, o que motivou um novo retorno à unidade durante a madrugada.
De acordo com os pais, o profissional de plantão apalpou a barriga do menino e garantiu que se tratava apenas de gases intestinais. Mesmo com os pedidos da família para realizar hemogramas e ultrassonografias — inclusive com a oferta de pagamento na rede privada —, nenhum exame complementar foi solicitado pelos médicos.
Transferência e agravamento do estado clínico
Na sexta-feira (16), a família viajou para a zona rural de Eldorado do Carajás para visitar os avós maternos. Com a persistência do inchaço e da respiração pesada na madrugada, os pais buscaram o hospital local, onde o médico de plantão também atribuiu o desconforto a gases, aumentou a medicação e administrou soro.
Por volta das 5h30, a condição clínica despencou de forma drástica, obrigando a transferência de urgência do menino para Marabá em uma ambulância equipada com suporte de oxigênio. Ao dar entrada no Hospital Regional Materno Infantil, a criança já estava em estado gravíssimo e precisou ser entubada às pressas pela equipe médica.
Investigação e busca por justiça
Os médicos diagnosticaram uma quadro severo de infeção generalizada (sépsis) acompanhada de hemorragia pulmonar. Apesar de todas as manobras de reanimação e tentativas de drenagem feitas pela equipe, o paciente não resistiu. O pai desabafou sobre a falsa sensação de segurança transmitida pelos profissionais durante os primeiros atendimentos:
“Não estou aqui para atacar instituição A ou B, estou a questionar a conduta de quem atendeu o meu filho. A tranquilidade e a passividade que me passaram tiraram-me a oportunidade de agir a tempo”
Após o óbito, os pais enfrentaram dificuldades burocráticas para a liberação do corpo e precisaram registrar um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil para garantir a realização da autópsia pelo Instituto Médico Legal (IML). A família agora aguarda o laudo pericial oficial para acionar os meios jurídicos e cobrar a responsabilização médica pelo caso.
