Pontes em construção em Marabá estão entre as maiores obras logísticas em andamento no Norte

Pontes em construção em Marabá estão entre as maiores obras logísticas em andamento no Norte

As duas novas pontes sobre o rio Tocantins, em Marabá, já passaram de 80% de execução e devem ficar prontas em 2027. O projeto, financiado pela Vale, reúne uma ponte rodoviária e outra ferroviária, cada uma com aproximadamente 2,3 quilômetros, além de novas vias de acesso e da duplicação de um trecho da Estrada de Ferro Carajás.

Com investimento estimado em R$ 4,1 bilhões, o empreendimento está entre as maiores obras logísticas individuais em andamento na Região Norte. A comparação precisa ser feita com cuidado, porque não existe um ranking oficial que reúna todos os projetos em execução na Amazônia. Ainda assim, os valores divulgados permitem dimensionar o tamanho da intervenção.

No Pará, por exemplo, obras federais como a ponte sobre o rio Xingu, avaliada em R$ 405,6 milhões, e lotes de pavimentação da BR-156, no Amapá, têm investimentos bem menores quando analisados separadamente. Há projetos de valor superior no Norte, mas muitos ainda estão em fase de planejamento, licenciamento ou licitação, e não em construção.

A atualização mais recente da obra, com dados até julho de 2026, aponta 2.951 trabalhadores envolvidos no empreendimento, a maioria contratada na própria região. O projeto também já havia gerado cerca de R$ 79 milhões em pagamento de ISS, segundo as informações repassadas para esta reportagem. Esses números ajudam a explicar por que a construção passou a fazer parte da rotina econômica de Marabá, além de alterar o trânsito e os acessos em áreas próximas ao rio.

Duas pontes

As novas estruturas estão sendo construídas ao lado da ponte rodoferroviária dos anos 1980, que hoje concentra a passagem de trens, carros, caminhões, motocicletas, ciclistas e pedestres entre os núcleos de São Félix e Nova Marabá. A proposta é separar os fluxos.

A ponte rodoviária receberá o trânsito de veículos e terá espaço destinado a pedestres e cadeirantes, além de acostamentos laterais, guarda-corpo, proteção contra quedas e iluminação. A ponte ferroviária será usada pelos trens e fará parte da duplicação da Estrada de Ferro Carajás, ampliando a capacidade de transporte de minério e de outras cargas.

O projeto completo inclui cerca de oito quilômetros de duplicação ferroviária e 3,1 quilômetros de alças rodoviárias. Essas conexões são importantes porque a ponte, sozinha, não resolve os problemas de circulação. Depois da travessia, os veículos precisam alcançar as rodovias e avenidas existentes sem transformar bairros residenciais em novas passagens obrigatórias.

A Vale informa que a ponte rodoviária terá uma superestrutura em caixão de concreto protendido empurrada, solução que, segundo a empresa, fará dela a maior da América Latina nesse tipo de método construtivo. A companhia também afirma que a ponte ferroviária será a primeira do Brasil a utilizar pilares pré-moldados protendidos.

Na prática, o trabalho envolve a construção de pilares, travessas, blocos, tabuleiro e demais elementos que precisam ser encaixados com precisão sobre o rio. A conclusão da protensão de 100% dos pilares das duas pontes foi uma das entregas destacadas em 2026. A técnica reforça o concreto para que a estrutura suporte as cargas previstas e as condições de operação ao longo do tempo.

A conclusão das pontes está prevista para 2027, porém quando questionada sobre uma data mais precisa para inauguração, a Vale desconversa e apenas afirma que tudo está correndo “dentro do cronograma”.

Fonte: Correio de Carajás

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