A cidade amanheceu hoje, sábado (29), no clima que só quem vive no sudeste paraense conhece bem: o de véspera de ExpoCanaã. E é justamente a Cavalgada Ruralista, tradicional cartão de abertura da feira, que dá o pontapé inicial à 11ª edição do maior evento agropecuário da região, promovido pelo Sicampo, Sindicato dos Produtores Rurais de Canaã dos Carajás, com apoio da Prefeitura Municipal.
Para quem não é do meio rural, vale a explicação: uma cavalgada ruralista é simultaneamente celebração e vitrine: celebração da cultura sertaneja e do trabalho no campo, e vitrine da força econômica que o agronegócio representa em Canaã dos Carajás, cidade mais conhecida nacionalmente pelas jazidas minerais operadas pela Vale, mas que também vive um agro pujante.
Uma edição de novidades
Sob o tema “Onde o agro, os negócios e o espetáculo se encontram”, a 11ª ExpoCanaã vai de hoje até 6 de setembro, no Parque de Eventos Mayco Goulart. E a cavalgada deste ano chega com mudanças em relação às edições anteriores. O trajeto pelas ruas da cidade foi redesenhado, e há uma estreia importante: o CMEC (Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura de Canaã dos Carajás) monta pela primeira vez um grupo só de mulheres dentro do desfile. Empreendedoras e trabalhadoras do campo vão ocupar as ruas lado a lado, num sinal de que o espaço delas no agronegócio local vem crescendo.
Diversas comitivas da região devem participar, reunindo cavaleiros, amazonas e produtores rurais em trajes típicos, com direito ao já tradicional desfile de arreios, montarias e animais bem cuidados, verdadeiro orgulho de quem trabalha a terra o ano inteiro.
À noite, encerrando o primeiro dia de festa, o palco recebe as duplas Thallys e Thiago e Manu Bahtidão, misturando o clima de rodeio com o sertanejo que também move a economia do entretenimento na região.
Por que a cavalgada abre a feira?
Não é acaso a cavalgada abrir sempre a programação. Em edições anteriores da ExpoCanaã, o desfile já reuniu milhares de participantes e chegou a somar cerca de 20 comitivas e mais de 2 mil animais em um único ano, atraindo visitantes de cidades vizinhas como Parauapebas, Xinguara, Rio Maria e Marabá, o que aquece hotéis, restaurantes, salões de beleza e comércio local logo nos primeiros dias do evento. É, na prática, o anúncio público de que a feira começou: depois do desfile, a cidade “vira a chave” para nove dias de shows, rodeio profissional, exposição de animais, mostra comercial e capacitação técnica para o produtor rural.
O que vem depois da cavalgada
Depois da cavalgada, a feira ainda guarda mais oito dias de programação: capacitações sobre tecnologia no campo, uma mostra comercial maior, com bancos e empresas expondo, provas de marcha e; talvez o ponto alto para quem gosta de adrenalina, o Rodeio Profissional. As montarias em touros e cavalos ficam por conta da Ítalo Todde, entre os dias 3 e 5 de setembro.
E tem mudança grande também para quem só quer curtir o show de graça: a organização decidiu abrir a pista da arena principal ao público em todas as noites do evento, sem custo, algo que não acontecia nas edições passadas. Quem quiser pagar por uma experiência mais reservada ainda tem opções como Front, Camarote Boate e Tapete Vermelho, com venda de ingressos pelo site oficial.
Fora da arena e dos estandes de negócios, a Prefeitura estreia o projeto “Prefeitura no Campo”. A ideia é simples: em vez de o morador da zona rural precisar ir atrás de cada secretaria municipal, boa parte desses atendimentos, de regularização fundiária a assistência social, passando por saúde, educação e habitação, vai funcionar dentro do próprio parque de exposições durante os dias de feira.
A voz de quem organiza
Para o presidente do Sicampo, Denis Washington, a proposta desta edição é clara: colocar o produtor rural no centro das atenções. Segundo ele, a entidade quer que o produtor “seja protagonista, seja valorizado, tenha acesso ao conhecimento” ao longo da feira, um compromisso, segundo a organização, com o desenvolvimento do agronegócio na região.
