Propaganda eleitoral estará liberada a partir de amanhã, domingo (16)

Propaganda eleitoral estará liberada a partir de amanhã, domingo (16)

Depois de meses de bastidor, WhatsApp cheio de “pré-candidato” e conversa de bar sobre quem vai ou não disputar, o relógio da política para de fingir. Neste domingo, dia 16 de agosto, a propaganda eleitoral das Eleições Gerais de 2026 passa a valer oficialmente em todo o Brasil e Canaã dos Carajás, que nunca escondeu a vontade de furar o teto de vidro que a mantém sem representação própria na Assembleia Legislativa do Pará, entra de vez no jogo.

Pela legislação eleitoral, a propaganda só pode começar depois de fechado o prazo de registro das candidaturas, que se encerra hoje (15) às 19h. Ou seja: antes de domingo, ninguém pode pedir voto abertamente. Depois de domingo vale, dentro das regras.

O que muda a partir de agora

Até aqui, o que existiu foi a chamada propaganda intrapartidária, restrita às convenções dos partidos, realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto, e aos 15 dias que as antecederam. Serviu para organizar as chapas dentro de casa. A partir de domingo, o jogo é outro: é a rua, é a internet, é o carro de som passando na avenida.

Entre as novidades liberadas a partir de 16 de agosto estão:

Impulsionamento pago de conteúdo na internet, algo que só é permitido a partir desta data, antes disso, qualquer post pago era irregular;

Comícios e uso de aparelhagem de sonorização fixa, autorizados das 8h à meia-noite (com exceção do comício de encerramento de campanha, que pode se estender por mais duas horas);

Propaganda em sites oficiais, redes sociais, blogs e aplicativos de mensagens, desde que os endereços eletrônicos usados na campanha tenham sido informados à Justiça Eleitoral no registro da candidatura ou comunicados em até 24 horas, caso criados depois;

Instalação de linhas telefônicas nas sedes partidárias, mediante requerimento e pagamento de taxas.

O que ainda não começa é o horário eleitoral gratuito de rádio e TV, que só entra no ar em 28 de agosto e segue até 1º de outubro, trinta e cinco dias antes da véspera do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

De olho na desinformação e na inteligência artificial

Esta é a primeira eleição geral em que o Tribunal Superior Eleitoral chega com um pacote de regras específico para o uso de inteligência artificial na propaganda. A Resolução TSE nº 23.610/2019, atualizada pelas resoluções de 2024 e 2026, proíbe expressamente o uso de deepfakes e reforça os mecanismos contra a divulgação de conteúdo falso ou descontextualizado. Também fica proibida, a partir de agora, a realização de enquetes sobre o processo eleitoral e plataformas com sistemas de IA não podem recomendar candidaturas ao eleitor, para não interferir na decisão do voto.

Para quem quiser denunciar propaganda irregular vista na rua, santinho colado em poste, carro de som fora do horário, boca de urna disfarçada, a Justiça Eleitoral disponibiliza o aplicativo Pardal, que passa a aceitar fotos e vídeos de denúncia a partir deste domingo, gratuito para Android e iOS.

E em Canaã, quem entra na disputa?

Se no cenário nacional a atenção está nos presidenciáveis e, no estadual, na disputa pelo Palácio Lauro Sodré, em que a governadora Hana Ghassan, do MDB, tenta a reeleição com apoio da Federação Brasil da Esperança e do vice Dirceu Ten Caten, é no plano estadual que Canaã dos Carajás vive o capítulo mais sensível da sua própria história eleitoral: o de tentar, pela primeira vez, eleger um deputado que more, viva e responda pela cidade dentro da Assembleia Legislativa.

Não é força de expressão dizer que o município nunca conseguiu isso. Mesmo sendo hoje um dos motores mais fortes da economia paraense, puxado pela mineração de ferro e presente nos relatórios da Vale para investidores do mundo inteiro, Canaã segue sem voz própria na Alepa. Em 2022, o candidato mais votado no município, Jeová Andrade, somou mais de 21 mil votos vindos só de Canaã, cerca de 60% de tudo o que recebeu no estado e mesmo assim ficou de fora, a poucos votos de uma cadeira.

Para 2026, o número de canaenses com candidatura confirmada para uma vaga estadual chegou a quatro: Barbicha do Povo (Solidariedade) e Alexsandro Bonança (Podemos) tiveram o registro da candidatura oficializado e se somam a Eugênio Gadelha e Anderson Mendes, que já haviam confirmado a disputa, bem mais claro do que a especulação dos últimos meses:

  • Eugênio Gadelha (MDB) ex-secretário municipal de Obras, chega com a estrutura política mais robusta, puxada pelo apoio declarado da prefeita Josemira Gadelha, sua esposa, e por uma aliança já costurada com o deputado estadual Ivanaldo Braz;
  • Anderson Mendes (Podemos) registrou oficialmente a candidatura a deputado estadual pela legenda, depois de meses construindo identidade de campanha própria nas redes e se posicionando como voz de oposição à gestão municipal, com o discurso de fiscalização como principal bandeira.
  • Barbicha do Povo (Solidariedade) teve o registro de candidatura a deputado estadual confirmado pela legenda, entrando oficialmente na disputa por uma vaga na Alepa em nome de Canaã dos Carajás;
  • Alexsandro Bonança (Podemos) teve a candidatura a deputado estadual confirmada pelo partido, depois de já ter concorrido à Prefeitura de Canaã dos Carajás em 2024.

Outros dois nomes que circularam como possíveis candidatos ao longo do semestre não confirmaram, até o momento, o registro da candidatura:

  • Oribes Primo (PDT) ex-secretário de Habitação, teve a pré-candidatura anunciada pelo partido em abril, mas segue sem confirmação oficial de registro;
  • Ademirson Alves Borges, o “Chefinho” (União Brasil) vereador mais votado de seu partido no último pleito municipal, também chegou a ser cotado para a disputa estadual, mas não oficializou candidatura.

O desafio de quem entrou de fato na disputa é histórico e, ao mesmo tempo, matemático: Canaã tem eleitorado suficiente para eleger um representante, mas historicamente pulveriza seus votos entre vários nomes ao mesmo tempo o que, no sistema proporcional, impede qualquer um deles de alcançar sozinho o quociente eleitoral necessário. Com Eugênio Gadelha e Anderson Mendes concorrendo ao mesmo tempo, o debate que já circula nos bastidores da política municipal é exatamente esse: dá para a cidade concentrar votos em torno de um nome só, ou o município vai repetir, pela enésima vez, a história de ficar de fora?

O que está em jogo não é pouco. Eleger um deputado estadual significaria, na prática, ter voz direta na destinação dos recursos da compensação financeira da mineração, o famoso CFEM e deixar de depender de intermediação de políticos de fora para resolver pautas locais na Alepa.

O que esperar dos próximos dias nas ruas de Canaã

A partir deste domingo, é natural que o município comece a mudar de cara: adesivos em carros e comércios, faixas em pontos estratégicos, carros de som circulando pelos bairros, distribuição de material impresso e, principalmente, uma enxurrada de conteúdo patrocinado nas redes sociais… Instagram, Facebook, WhatsApp e TikTok devem ser, como já é tendência nas últimas eleições, o principal palco da disputa por atenção do eleitor canaense.

Vale lembrar: mesmo com a liberação, a propaganda eleitoral segue sujeita a fiscalização. Excessos, como sonorização fora do horário permitido, propaganda em bens públicos sem autorização ou uso de conteúdo enganoso gerado por IA, podem ser denunciados e responder a processo na Justiça Eleitoral.

De um lado, a engrenagem nacional de uma eleição que vai definir presidente, governadores, senadores e deputados. De outro, uma cidade que carrega nos ombros o peso do minério e a vontade antiga de finalmente ter um nome seu falando por ela em Belém. A partir deste domingo, essa disputa sai do WhatsApp e vai para a rua e para as urnas, o veredito só sai em outubro.

Da Redação

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *