S11D completa 10 anos em Canaã dos Carajás e amplia produção com investimento de US$ 2,8 bilhões

S11D completa 10 anos em Canaã dos Carajás e amplia produção com investimento de US$ 2,8 bilhões

A maior mina de minério de ferro do mundo está prestes a completar uma década de operação em Canaã dos Carajás. O Complexo S11D Eliezer Batista, da Vale, entrou em funcionamento em dezembro de 2016 e, desde então, transformou não apenas o cenário da mineração global, como também a própria cidade onde está instalado.

A operação se prepara agora para uma nova etapa de expansão, com conclusão prevista ainda para este ano. Os investimentos, estimados em US$ 2,8 bilhões, devem acrescentar 20 milhões de toneladas por ano à capacidade da unidade, que atualmente já produz até 100 milhões de toneladas anuais. As obras incluem um novo transportador de correia de longa distância, novas áreas de lavra e a ampliação das estruturas de beneficiamento e manutenção, e já passam de 80% de execução.

Uma história que começou nos anos 1970

Embora o nome S11D só tenha ganhado projeção nacional na década passada, a história da mina é mais antiga. As primeiras sondagens na região foram realizadas ainda nos anos 1970, pela então Docegeo. Só nos anos 2000 vieram os estudos de viabilidade que deram forma ao projeto atual, e a implantação física começou em 2013 e 2014, num dos maiores investimentos privados já realizados no Brasil: cerca de US$ 14,3 bilhões, somando mina, usina e toda a estrutura logística, incluindo ferrovia e terminal portuário.

O nome técnico do empreendimento remete ao bloco D do corpo geológico S11, localizado na Serra Sul de Carajás, daí “S11D”. Ali estão reservas de 4,2 bilhões de toneladas de minério de ferro lavrável, com um dos teores mais altos do mundo, em torno de 66,7%.

O nome que carrega a história de Carajás

O complexo não se chama apenas S11D, seu nome completo é Complexo S11D Eliezer Batista, uma homenagem ao engenheiro mineiro que comandou a Vale em dois períodos, entre 1961 e 1964 e depois entre 1979 e 1986. Foi durante seu segundo mandato à frente da então Companhia Vale do Rio Doce que Eliezer Batista assumiu o desafio de implantar o Projeto Grande Carajás, no meio da floresta amazônica, convencendo o Banco Mundial a financiar a obra que incluía mina, ferrovia e porto. Sem aquela decisão tomada décadas antes, a própria exploração mineral que hoje sustenta Canaã dos Carajás simplesmente não existiria. Eliezer morreu em 2018, aos 94 anos, dois anos depois de ver seu nome batizar o maior projeto da história da mineração mundial, justa coroação para quem, na expressão usada pela própria Vale à época, foi chamado de “Engenheiro do Brasil”, mas merecia também o título de construtor da própria companhia.

Tecnologia que mudou o padrão da mineração

O que tornou o S11D referência internacional não foi apenas a escala, mas o modelo de operação. A mina utiliza o sistema truckless, que substitui boa parte da frota de caminhões por correias de transporte, e o beneficiamento a seco, sem uso intensivo de água e sem barragem de rejeitos, uma escolha técnica que, segundo a Vale, permitiu reduzir em torno de 93% o consumo de água, 73% o consumo de energia e 40% as emissões de carbono em comparação aos métodos tradicionais de mineração.

“O S11D provou que é possível operar em grande escala com baixo impacto. Ao longo desses anos, a unidade consolidou um modelo que alia inovação, eficiência e responsabilidade ambiental, com resultados concretos para a mineração e para o território onde está inserida”, afirma Danilo Goldoni, diretor de Operações.

O impacto na economia de Canaã dos Carajás

A chegada do empreendimento mudou o perfil econômico do município. Em 2016, ano da inauguração, Canaã registrou cerca de R$ 28 milhões em Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). Em 2025, esse valor, somando minério de ferro e cobre, chegou a aproximadamente R$ 1,2 bilhão. Em uma década, a arrecadação proveniente da mineração no município somou cerca de R$ 9 bilhões para os governos federal, estadual e municipal, além de R$ 1,3 bilhão em Imposto Sobre Serviços (ISS).

Próximos passos

Com vida útil estimada em cerca de 48 anos, o S11D ainda tem um longo caminho à frente. A expansão em curso reforça a aposta da Vale no minério de ferro de alto teor, produto cada vez mais valorizado pela indústria siderúrgica global  e mantém Canaã dos Carajás no centro de uma das operações mais relevantes da mineração mundial.

Da Redação

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